As Jornadas de Miguel Raposo

As Jornadas de Miguel Raposo


Miguel Raposo está de volta ao Teatro Variedades, onde, em outubro passado, estreou o espetáculo Reality Show: Os Raposos 3027. Esta obra é baseada em um texto original de sua autoria, dedicado à sua mãe, a falecida atriz Maria João Abreu, e apresenta Miguel contracenando com seu pai, José Raposo, e seu irmão Ricardo. Durante a reflexão sobre a peça, uma espécie de fantasia autobiográfica que mistura ficção científica e memórias pessoais, Miguel mencionou o quanto cresceu dentro de teatros, especialmente no Variedades, que fará 100 anos no próximo dia 8 de julho.

Nessa data, juntamente com outros nove atores, Miguel retornará ao icônico palco do Parque Mayer para interpretar Variedades (… como uma ópera bufa erótica e satírica). Este espetáculo, escrito por Fernando Heitor e Flávio Gil, com direção musical de João Pedro Soares, apresenta uma dezena de personagens inspiradas em figuras lisboetas de tempos passados — como uma varina ou um ardina — que revisitam a história do Teatro Variedades, evocando artistas e números musicais que marcaram o imaginário popular português no último século.

No espetáculo, Miguel interpreta Camarão, um personagem que ele descreve como “um órfão pobre e triste”. “O Camarão é um vendedor de jogo, filho de um sargento ajudante que o trouxe de África para Portugal contra a vontade da mãe. Quando está mais triste, Camarão dança”, compartilha o ator durante a sessão de fotos para a capa da Agenda de julho/agosto, na companhia da atriz Wanda Stuart, sua parceira de elenco.

“Os ensaios têm sido muito exigentes, pois precisamos conhecer o texto dos colegas na íntegra para intercalar com os temas musicais que se seguem”, comenta Miguel. Apesar da intensidade dos ensaios na última semana antes da estreia, ele espera conseguir encontrar tempo livre para ir ao cinema, assistir a uma performance que combina música e artes plásticas e participar de uma conversa entre duas mulheres ilustres e criadoras de teatro.

O Amor que Perdura
Filme de Hlynur Pálmason
Em exibição nos cinemas Medeia Nimas e City Alvalade

O novo filme do diretor islandês Hlynur Pálmason mergulha na intimidade de uma família em processo de separação. Admirador confesso do trabalho de Pálmason, de quem Miguel recentemente assistiu Godland – Terra de Deus, destaca aspectos pessoais que o atraem para este filme: “Vivi no campo, assim como os personagens de O Amor que Perdura, e também tive pais que se separaram. Essa separação coincidiu com a ruptura da minha vida no campo, quando me mudei para a cidade.” Além dessa conexão pessoal, o ator ressalta “a forma interessante como o diretor capta o onírico”.

Podia ser na Tate mas é aqui
Curadoria de André e. Teodósio. Conversa com Maria do Céu Guerra e Teresa Coutinho.
No Teatro São Luiz, a 29 de junho às 18h30

André e. Teodósio finaliza o ciclo de conversas que tem conduzido mensalmente no Teatro São Luiz. Podia ser na Tate mas é aqui é um encontro entre duas figuras essenciais do teatro português, com percursos bastante distintos. “Essas conversas são sempre muito interessantes e, particularmente, esta desperta um interesse especial por ser protagonizada por duas mulheres”, observa Miguel. “Maria do Céu Guerra traz consigo uma rica história e um património de memória do qual ainda podemos aprender, enquanto Teresa Coutinho é uma autora e atriz fundamental no teatro português contemporâneo.” A sessão será de entrada gratuita, com distribuição de bilhetes na bilheteira do teatro municipal no dia do evento.

To lament war through instruments of one’s own
Performance de Cali e Danta Ghira
Na Reqollé – Collage Gallery, a 2 de julho às 19h

Na recém-inaugurada galeria Reqollé, localizada na Rua Rodrigo da Fonseca, perto do Marquês de Pombal, a violoncelista Cali e o artista multidisciplinar Danta Ghira “convidam-nos para uma narrativa que fala de paisagens de guerra”, através de “uma colaboração que proporciona ao público uma meditação coletiva”, conforme explica Miguel. A violoncelista é conhecida pela “sonoridade de fricção, ressonância, respiração e silêncio, sempre em improvisação”. Em relação a Danta, ele destaca “os trabalhos em desenho expandido”. Além dessa performance de colagem, a Reqollé apresenta ainda a exposição coletiva Non-obvious Connections (até 13 de agosto), centrada na arte da colagem.

[ATENÇÃO: o evento To lament war through instruments of one’s own foi reagendado para dia 15 de julho à mesma hora]

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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