Cartões de crédito lusos furtados perdem valor na rede obscura

Cartões de crédito lusos furtados perdem valor na rede obscura

Enquanto alguns países viram um aumento de 444% nos cartões de pagamento roubados, Portugal apresentou uma redução de 16% nesse mesmo contexto, conforme indicam os dados da plataforma de cibersegurança NordVPN.

Os cartões de pagamento roubados originários de Portugal desvalorizaram em 2025 nos mercados da dark web, numa tendência oposta à maioria dos outros países. A média global dos preços ainda gira em torno de oito dólares, mas em alguns mercados houve um incremento expressivo. Portugal, por outro lado, viu os preços dos cartões de pagamento caírem de 11,07 dólares (9,50 euros) para 9,26 dólares (7,95 euros). Esta informação foi destacada pela NordVPN.

“Apesar da alta dos preços em outras regiões, os dados dos cartões continuam a ser acessíveis para criminosos iniciantes. Nos principais mercados, um único cartão roubado pode custar o mesmo que um bilhete de cinema. Frequentemente, eles são vendidos em lotes, têm uma validade prolongada e podem ser levantados localmente. Com isso, por alguns dólares, os criminosos optam entre uma noite de diversão ou uma oportunidade aberta para fraudes, roubos de contas e desvio de fundos alheios”, comentou Adrianus Warmenhoven, especialista em cibersegurança da NordVPN.

Conforme os dados, os Estados Unidos são o país mais afetado por fraudes envolvendo cartões de pagamento, com mais de 60% dos cartões pertencendo a usuários norte-americanos. Singapura ocupa o segundo lugar, com cerca de 11%, e a Espanha está em terceiro, com aproximadamente 10%. Contudo, a alta frequência nos cartões de pagamento americanos não resulta em preços baixos; os cartões roubados dos EUA têm um valor médio de 11,51 dólares (9,88 euros). Por outro lado, os cartões do Japão estão entre os mais caros, custando cerca de 23 dólares (19,75 euros). Cartões do Cazaquistão, Guam e Moçambique têm um preço em torno de 16 dólares (13,74 euros), enquanto cartões da República do Congo, Barbados e Geórgia podem ser vendidos por cerca de um dólar (0,86 euros). Em toda a Europa, a maioria dos preços dos cartões é em torno de oito dólares (6,87 euros), com a Espanha liderando na União Europeia com 11,68 dólares (10,03 euros), seguida pela França com 11,07 dólares (9,50 euros) e Portugal por 9,26 dólares (7,95 euros). O Chipre é mencionado como um dos mais baratos, a 1,78 dólares (1,53 euros)”, acrescentou a NordVPN.

A plataforma também observou um aumento significativo nos preços de dados roubados nos últimos dois anos.

“O aumento mais acentuado ocorreu na Nova Zelândia (superando os 444%), seguido pela Argentina (368%) e Polônia (221%). A França registrou um aumento mais modesto de apenas 18%. Os preços na dark web são geralmente ditados pela simples lógica da oferta e da demanda, com os criminosos dispostos a pagar mais por cartões de países onde há pouca oferta e rigorosos controles antifraude, como no Japão. Nos mercados onde os dados são abundantes, como os Estados Unidos ou a Espanha, os cartões tendem a ser mais baratos e frequentemente são vendidos em pacotes, o que reduz o custo por cartão”, destacou a NordVPN.

“A eficácia da aplicação da lei e a estabilidade política desempenham um papel importante na determinação do risco e do preço: a ‘risco’ refere-se ao quão avançado é o trabalho dos emissores na detecção de fraudes e quão rapidamente reagem. Cartões com datas de validade mais longas têm um preço premium: cerca de 87% dos cartões observados permanecem utilizáveis por mais de 12 meses, tornando-se mais fáceis de revender”, esclareceu Adrianus Warmenhoven.

A NordVPN também alerta que, apesar da enorme quantidade de cartões listados na dark web, a verdadeira lucratividade se dá através do chamado cash-out ou carding. “Roubar ou adquirir dados de cartões é apenas o início. O desafio é validar, monetizar e lavar esses dados para transformá-los em lucro real”, enfatizou a empresa.

“O carding funciona de maneira similar a uma cadeia de fornecimento industrial, com diferentes atores desempenhando funções específicas: os harvesters (coletadores) reúnem ou roubam dados, os validators (validadores) utilizam bots para verificar milhares de cartões por hora, e os cash-outers (extratores) convertem cartões validados em códigos de oferta, bens, criptomoedas ou dinheiro”, explicou a NordVPN.

“Um dos passos críticos no carding é a validação. Os cibercriminosos usam bots para realizar pequenas cobranças de teste ou tentativas de autorização para descobrir quais cartões funcionam. Em algumas situações, eles utilizam fornecedores de pagamento menores ou sites de comerciantes específicos para dispersar as tentativas e ocultar as falhas. Uma vez validados, os cartões podem ser utilizados para retirar dinheiro em caixas eletrônicos, adquirir cartões-presente ou vouchers, ou fazer reservas de viagens e acomodações que posteriormente podem ser revendidos. As etapas de monetização e lavagem estão intimamente ligadas e várias táticas são aplicadas para ocultar a origem dos fundos”, finalizou Adrianus Warmenhoven.

Adrianus Warmenhoven também forneceu uma série de recomendações para ajudar as pessoas a se protegerem contra o carding.

Entre estas, destacam-se a verificação regular do extrato, o uso de senhas fortes, evitar armazenar senhas e dados de pagamento no navegador, ativar a autenticação multifator (MFA) e monitorar a dark web.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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