Um aspecto comum a todo este artigo é o tema da leitura de qualidade, independentemente do género. Aqui estão algumas sugestões para começar a sua jornada literária.
A nova Livraria Municipal, que substitui a antiga localizada na Avenida da República e encerrada em 2016, foi inaugurada a 4 de julho do ano passado com o objetivo de promover as publicações municipais no centro da cidade. Situada no Rossio, a livraria oferece uma variedade de livros sobre cultura, arte, património, fotografia, meio ambiente, desporto, entre outros. Está aberta de segunda a sábado, das 10 às 19 horas, e a sua programação inclui apresentações e lançamentos de livros, conversas temáticas e um clube de leitura mensal focado em obras que abordam Lisboa. No mês atual, destaca-se a coleção sobre Freguesias e Coletividades de Lisboa, criada pelo Gabinete de Estudos Olissiponenses. Para iniciar o ano, eles sugerem a leitura de Mais do que Casas – Como vamos habitar em Abril 2074?, uma coedição do MUDE – Museu do Design e da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.
A inauguração oficial ocorreu em 23 de outubro último. David Gough, da África do Sul, e Walter DeMirci, da Argentina, não tinham experiência anterior como livreiros, mas são leitores ávidos. A experiência de quase seis anos em Portugal os levou a realizar um sonho que transformou suas vidas profissionais, passando de técnico de microfinanças e relações-públicas a proprietários de livraria. Eles oferecem exclusivamente obras de autores do hemisfério sul, em traduções portuguesas ou na língua original quando se trata de livros não publicados no país. O nome Gondwana refere-se ao supercontinente que unia as terras que hoje são a América do Sul, África e Oceania. O público da livraria é em sua maioria português, com conhecimentos de outras línguas, que frequentemente opta por adquirir edições originais. Entre os eventos programados para 2026, destaca-se uma exposição fotográfica de Luís Miguel Monteiro, que realizou uma expedição à Antártica. A recomendação de David e Walter para iniciarmos o ano de 2026 é Jacarandá, de Gaël Faye, lançado pela Relógio D’Água.
Há dois anos, foi inaugurada uma livraria dedicada à escrita feminista de mulheres e pessoas não binárias. Este é um projeto antigo de Lorena Travassos, que começou como uma livraria virtual durante a pandemia de COVID-19. Após uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo, foram reunidos os recursos necessários para viabilizar a abertura física. Parte do acervo foi adquirido com o prêmio de um concurso de melhores projetos promovido pela marca Nestlé. Lorena descreve a livraria como um projeto comunitário que ela apenas gerencia, ressaltando que “comprar é um ato político, e os consumidores devem apoiar mais o comércio local que depende disso para continuar a existir”. A Greta é também uma editora, e a próxima sugestão de leitura é Kûarasy: em fala e fogo, uma coletânea de textos de autoras indígenas.
Quando a Palavra de Viajante foi inaugurada há 15 anos, não havia na cidade nem no país nada semelhante. A ideia foi concebida por duas sócias, Ana Coelho e Dulce Gomes, apaixonadas por livros e viagens, que decidiram unir suas paixões em uma livraria temática. Ideal para viajantes, a livraria disponibiliza em suas prateleiras e mesas livros em português, inglês, francês, espanhol e italiano, todos encomendados a fornecedores de cada um desses países. Realizam-se lançamentos de livros, exposições e discussões sobre viagens. A sugestão de leitura de Ana Coelho para dar início ao ano é Japonesismos de Outono, de Pierre Loti, publicada pela Livros de Bordo. É uma excelente companhia, especialmente para aqueles que planejam uma viagem ao Japão.
Mário Guerra, conhecido como Changuito, começou sua jornada com um bar onde, em uma sala modesta, fez sua primeira seleção de livros. Depois, abriu uma livraria no Príncipe Real e, em seguida, realizou uma tentativa de levar uma tonelada de livros para o Brasil, que não ocorreu como esperado. Nos últimos sete anos, reabriu suas portas para os amantes da poesia na Lapa. Mário realiza recitais de leitura de poesia desde 1999. Para ele, abrir uma livraria de poesia não é uma questão de negócios – podem chamá-lo de sonhador, se quiserem. Para facilitar a vida dos clientes, ele disponibiliza na porta uma lista com “respostas para evitar perguntas”. Quando questionado sobre que livro poderia ser a primeira leitura de 2026, ele recomenda Fumar às Janelas do Crânio. Poesia mexicana do século XX, Editora Língua Morta, organizada, selecionada e traduzida por Luís Filipe Parrado e Ricardo Castro Ferreira.
A loja comemorou 31 anos em novembro passado. É uma livraria especializada em banda desenhada, com foco na origem norte-americana, mas que também oferece BD franco-belga, espanhola e japonesa, entre outras. Além disso, possui uma seleção de edições em língua portuguesa, tanto de autores nacionais quanto traduções. Os gerentes da BD Mania reconhecem que é complicado, demorado e custoso desalfandegar o material que recebem constantemente dos Estados Unidos, mas isso também é uma vantagem para o cliente que não precisa passar por todo esse processo. No final de cada mês, eles recebem a chamada “carga nova”: títulos que já estão no mercado há quatro semanas e outros recém-lançados. A recomendação da livraria para uma próxima leitura é It’s Lonely at the Centre of the Earth, de Zoe Thorogood, uma novela gráfica autobiográfica que retrata os desafios de uma jovem desenhadora enfrentando a depressão e a ansiedade.








