É ao comunicar ou pisar o palco que se sente realizado, não fosse ele autor, apresentador de televisão, radialista, podcaster e ator. Prestes a completar 37 anos, Rui Maria Pêgo não tem dúvidas: “janeiro é um mês looongo e uma catapulta para o futuro”.
De 16 a 25 deste mês, interpreta Saturnino, futuro Imperador de Roma e uma espécie de narrador/apresentador de Titus, espetáculo baseado na peça Titus Andronicus, de William Shakespeare, uma das suas primeiras tragédias, marcada por violência extrema e pela exploração de temas como o trauma da guerra, o desejo de vingança, a relação com o poder, a autocracia, a misoginia e a ausência de limites na busca por um objetivo.
Dirigido por Cátia Pinheiro e José Nunes, que também assinam a adaptação juntamente com Hugo van der Ding, este espetáculo – uma criação da Estrutura em coprodução com o Teatro Nacional São João e o CCB – vai além de uma reinterpretação, propondo um olhar crítico sobre como os mecanismos de poder, vingança e desumanização permanecem ativos e até naturalizados na sociedade contemporânea.
Isto não é uma aula, mediado por Paulo Brás, está agendado para 7 de janeiro na Casa do Comum em parceria com a Livraria Aberta e Causas Comuns. O evento Isto não é uma aula – Referências LGBT na Literatura Portuguesa propõe uma releitura queer de textos canónicos e de autorias desconhecidas, abrindo espaço para preencher as lacunas no vocabulário emocional e social de uma comunidade que, apesar da sua rica história, ainda luta para descobrir a sua memória. Os participantes não saberão quais textos serão lidos antes do início da sessão, que ocorrerá durante onze quartas-feiras, do século XIX até 2024. Essencial.
Agora que todos os filmes de João César Monteiro foram digitalizados – um trabalho da Cinemateca Portuguesa – o Cinema Nimas, nas Avenidas Novas, convida os espectadores a absorver a totalidade da obra deste cineasta irreprimível. O ciclo Integral João César Monteiro começa no dia 8 de janeiro e inaugura com Veredas, filme de 1977.
Desde que passei a apresentar as Fast Talks da Moda Lisboa, tenho me demorado a passear pelos corredores do MUDE. Recomendo. A exposição Meu Nome António, que mergulha na vida de António Variações, o primeiro queer pop icon português, inaugurou a 3 de dezembro e ainda estará na Sala dos Cofres até abril. O que teria sido de Portugal se ele e essa geração de figuras queer tivessem sobrevivido? Com fotografias de Teresa Couto Pinto e curadoria de Bárbara Coutinho, é uma excelente oportunidade para viajar no tempo e explorar novas formas de ser.
Adoro acordar aos domingos de manhã e ir beber café na rua. Um dos meus passeios preferidos é no jardim da Gulbenkian, entre plantas ainda adormecidas e a nova pala do CAM a brilhar. Temos jardins a menos em Lisboa, e este sempre me transporta para uma atmosfera de calma e sensibilidade. É como se o tempo parasse.
Conan Osíris voltou, e estávamos a morrer de saudades. XenoNexo é um álbum com 20 faixas que traz a assinatura imprevisível de Conan. Todas as canções são inesperadas. Estou a ouvir Cartomancia em loop e suspeito que Printscesas e Tomatinhos serão mantras em 2026. Não é tudo. Dois Cisnes é viciante e Telemóveis também está presente. Para os mega-fãs de Conan Osíris, há ainda um micro-áudio extra, lançado no final de 2025. MUSICAE MMXV reúne oito temas de 2015 que estavam no Soundcloud e agora estão imortalizados. Welcome back!
Num tempo em que a Economia da Atenção nos algema, ainda consigo ler algumas coisas, embora, confesse, com grandes pausas. Straight Acting: The Hidden Queer Lives of William Shakespeare, de Will Tosh, está na minha mesa de cabeceira há alguns meses. É comum tornar o texto shakesperiano algo erudito e inalcançável, mas na verdade, Shakespeare fazia teatro para as massas do seu tempo. No Globe Theatre, em Londres, trabalhadores/as sexuais e aristocratas assistiam às suas peças. Às vezes, juntos e… em diálogo. Com um olhar perspicaz e humorístico, Will Tosh sugere que as nuances dos papéis de gênero, o desejo por sexualidades mais elásticas e relações homossexuais não apenas fascinavam William Shakespeare, como também faziam parte da sua biografia. Fascinante.
Não me fica bem, mas se tiver de sugerir um podcast para 2026… sugiro o meu! Não sei quando chegará a quinta temporada, mas enquanto isso, há 98 episódios anteriores com pessoas que admiro muito. Gabor Maté, Rita Blanco, Guadalupe Amaro, Marco Martins, Júlio Machado Vaz, Cândida Pinto, Hugo van der Ding, Shahd Wadi, Ana Guiomar, and the list goes on. O último episódio foi gravado ao vivo no festival Tribeca Lisboa com Edie Falco, atriz protagonista de séries como Sopranos e Nurse Jackie. O que terá Debaixo da Língua? Muitos mistérios.









