Beatriz Brás define Uma outra Bela Adormecida como uma “grande matrioska”, ao falar da peça que retorna ao Teatro LU.CA entre 5 e 26 de março. A obra é uma adaptação de um texto de Agustina Bessa-Luís, que reescreveu a versão de Charles Perrault do clássico conto em que uma princesa vive um profundo sono até que um príncipe encantado a desperte com um beijo de amor verdadeiro. Estreada em 2023, o espetáculo é voltado para crianças a partir dos 8 anos e conta com a participação de Beatriz Brás (interpretação e adaptação), Francisco Lourenço (criação de imagem) e Martim Sousa Tavares (composição e direção musical da Orquestra Sem Fronteiras).
“É uma versão que não termina com um final feliz, distante das histórias dos Irmãos Grimm e da Disney. Proporciona um novo olhar sobre essa história. É como contar um conto de fadas, fazendo pausas para questionar o que está escrito. Vou seguir a linha da Agustina e adicionar outros elementos, trazendo um olhar crítico que não pretende ser chato ou moralista”, explica a atriz. “As crianças se divertem, mas também levam perguntas para casa. É importante herdarmos histórias dos nossos antepassados, mas é igualmente importante questionar essa herança, sem arrogância, oferecendo uma nova perspectiva às histórias que recebemos.”
Até o final do mês, Beatriz estará dedicada a Bela Adormecida, mas em abril, uma nova atuação a espera. Em Culturgest, retorna Burn Burn Burn, escrita por Catarina Rôlo Salgueiro e Isabel Costa, onde interpreta a sonhadora Clarisse McClellan. “Temos espetáculo no dia 25 de abril, o que me deixa muito feliz, pois a peça aborda democracia e liberdade, mostrando que cada um pode ser como é e que podemos coabitar com as diferenças sem cancelar ninguém”, defende. Em seguida, Beatriz se dedicará novamente aos escritos de Agustina Bessa-Luís, desta vez na primeira longa-metragem de Francisco Botelho, que adaptará Ternos Guerreiros e começará as filmagens em maio e junho.
Além disso, a atriz tem uma agenda cheia e será difícil encontrá-la por aqui. Beatriz Brás seguirá em turnê com duas peças de Tiago Rodrigues: por várias cidades europeias com No Yogurt for the Dead; e até Xangai, na China, com Na Medida do Impossível.
Para esta semana, ela oferece seis sugestões variadas – do samba à psicoterapia de casais e fenômenos paranormais.
Bazar Bombarda
Nos Jardins do Bombarda, a 7 de março, entre as 13h às 18h
Todos os primeiros sábados de cada mês, há Bazar Bombarda nos Jardins do Bombarda. Ao ar livre, na área do Pinhal, bancas com artesanato, pinturas, ilustrações, peças de decoração e muito mais são montadas. “Gosto muito dos Jardins do Bombarda, visito frequentemente, especialmente desde a abertura da Sala Estúdio Valentim de Barros, onde já assisti a vários espetáculos. Esta feira mensal é um ótimo lugar para levar crianças e é pet friendly. Um espaço acolhedor, ideal para quem nunca foi lá antes”, comenta. Neste sábado, a partir das 15 horas, o bazar promete mais animação com o Sunset no Bombarda, com a DJ MdM, que tocará músicas dos anos 1980 até os dias atuais (Rita Lee está garantida).
Coletivo Gira
Na Fábrica Braço de Prata, a 7 de março, às 16h
“Adoro dançar e participar de rodas de samba”, confessa Beatriz, que escolheu como mais uma sugestão para o fim de semana a apresentação do Coletivo Gira, um grupo formado apenas por mulheres. Elas se apresentam todos os sábados à tarde na Fábrica Braço de Prata. “Elas têm uma energia contagiante e poderosa. A cultura brasileira celebra o presente e nos une. Temos muito a aprender com isso. Dançar samba é como dizer ao corpo: ‘Vamos lá! Independentemente do que acontece, vamos celebrar o que é viver’”.
Filme-concerto The Kid
No Teatro Camões, a 8 de março, às 17h
O Garoto de Charlot, de Charlie Chaplin, filme de 1921, ganhou uma trilha sonora 50 anos mais tarde, já no final da vida do ator e diretor. Agora, a Orquestra Sinfônica Portuguesa acompanha o filme ao vivo, criando um diálogo entre música e cinema. Para Beatriz Brás, essa é uma oportunidade imperdível. “Nunca vi este filme, nem um filme com música ao vivo, mas acredito que deve ser uma experiência extraordinária. Se não estivesse atuando no LU.CA nesse dia, certamente iria. Sou fã de Chaplin e acredito que será lindo.”
Música Avé, Raposa
Leonor Arnaut
“Adoro essa canção, tenho ouvido bastante. A música da Leonor é pop eletrônico, com letras abstratas e sua voz é etérea. Fica tão bonito e ela tem uma presença encantadora. Acredito que ela será um grande nome da música portuguesa, é muito promissora.” Avé, Raposa foi composta por Leonor Arnaut e produzida em parceria com Miguel Nicolau – que, como Beatriz diz, é “um amigo meu”, e conta com a participação de Margarida Campelo (sintetizadores), João Pereira (bateria), Filipe Louro (baixo) e Miguel Nicolau (guitarra). Uma edição da CANTO, a gravadora fundada pelo programador Sérgio Hydalgo.
Para Além do Cérebro
Disponível na RTP Play
Uma série documental que explora “a abordagem da ciência a fenômenos paranormais, um tema que me fascina cada vez mais”, revela Beatriz, que ainda está assistindo aos 16 episódios disponíveis na RTP Play. “É um olhar científico sobre fenômenos que muitas vezes não conseguimos explicar. É um terreno pantanoso, ainda com muito por desvendar, mas a ciência está cada vez mais reconhecendo a necessidade de investigar os limites da mente humana, nossa consciência, telepatia, vidas passadas… Sempre me interessaram, de forma filosófica, os mistérios que nos cercam e que ainda não têm explicação lógica. Gosto de pensar sobre o que é uma força divina ou superior, o que é Deus – embora não me identifique com nenhuma religião específica. Aprecio que a ciência esteja buscando uma base mais lógica para esses temas, me interessa essa fusão entre espiritualidade e ciência.”
Podcast Where Should We Begin?
Disponível em streaming
“Um podcast da incrível Esther Perel, uma psicóloga da qual sou fã incondicional.” No Where Should we Begin?, a psicoterapeuta de casais compartilha gravações de sessões, mantendo o anonimato dos clientes. “A qualidade da nossa vida depende da qualidade das nossas relações”, defende Perel, sejam elas conjugais, familiares, de amizade ou de trabalho. “Conseguimos nos identificar nas histórias, independentemente de estarmos em um relacionamento ou não, e podemos observar a forma inteligente e sensível como ela analisa cada situação”, destaca Beatriz, que é fascinada pela psicologia das relações. “Acredito que tudo (até mesmo a política) começa em casa, dentro de nós e nas situações mais íntimas – por isso também admiro Bergman e meu filme favorito é Cenas de uma Vida Conjugal. Vejo essa dinâmica a dois como um primeiro passo para uma dinâmica maior na sociedade. Me interessa ver como Esther Perel desmonta e analisa com humor (sempre necessário). E como, por meio da interação com os outros, conseguimos nos conhecer melhor, vendo o outro como um espelho.”









