“Eu entendo porque é que o Chega concorda com este Orçamento, pois este aloca recursos públicos àqueles que financiam o Chega, os grandes grupos económicos. O que me custa a acreditar é como é que o PS se deixa levar por esta retórica,” afirmou Paulo Raimundo aos jornalistas durante um passeio em Setúbal.
Paulo Raimundo referiu-se aos comentários do Secretário-Geral do PS, José Luís Carneiro, que afirmou que em 99,9% do Orçamento, “o Governo atendeu as exigências” colocadas ao primeiro-ministro, expressando a sua incredulidade.
“Não consegui entender. Se este Orçamento específico, com as suas consequências negativas para a maioria do país, corresponde a 99,9% das aspirações do PS, fico ainda mais preocupado,” disse.
Paulo Raimundo considerou a proposta de Orçamento de Estado apresentada hoje pelo Governo à Assembleia da República como “um exemplo da transferência de recursos públicos para grandes grupos económicos.”
“São os benefícios fiscais: mais 1,8 mil milhões de euros. As parcerias público-privadas que retiram dos nossos recursos: mais 1,4 mil milhões de euros. É o apoio a residentes não habituais que vêm cá comprar as nossas casas e edifícios para alugar: mais 1,9 mil milhões,” elencou.
O Secretário-Geral do PCP defendeu que “o país não avança” desta forma, enfatizando a necessidade de “dar resposta aos dois milhões de pobres” em Portugal em vez de gastar “recursos que são necessários.”
Paulo Raimundo comentou que, além das “medidas marginalmente positivas,” referindo-se aos anúncios feitos pelo primeiro-ministro durante a campanha eleitoral, como a redução do IRS ou o aumento do Complemento Solidário para Idosos (CSI), a “substância [do Orçamento de Estado] é profundamente negativa.”
Questionado sobre os cortes fiscais anunciados pelo Governo, Paulo Raimundo contrapôs que “a maior redução fiscal neste Orçamento de Estado é no IRC.”
“Coloquemos desta forma: o Governo orgulha-se de reduzir o IRS em 0,3% enquanto reduz o IRC em 1%. Porque não fazer o oposto? Isso seria valioso. É uma escolha,” criticou.
Relativamente à declaração do Ministro das Finanças de que “não há espaço para medidas adicionais” no Orçamento de Estado, Paulo Raimundo observou que tais declarações “revelam um caminho.”
“Este Orçamento de Estado é um instrumento da política em curso, e quem estiver associado a ele será responsabilizado por isso,” disse.
Paulo Raimundo destacou a falta de médicos e enfermeiros no país, o encerramento de serviços de urgência, a falta de “casas para viver” e os baixos salários e pensões, enfatizando que o Orçamento de Estado não fornece “nenhuma resposta” a estas questões.
“Até o orçamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que é apresentado com um aumento—e de fato aumenta—mas, novamente, metade desse orçamento é para transferir para aqueles grupos que fazem um negócio da doença. Este caminho não funciona,” afirmou.









