Na Rua, com Helena Mendes Pereira

Na Rua, com Helena Mendes Pereira


A diretora-geral e curadora da ZET também assume essas funções na galeria de Braga e no recém-inaugurado Muzeu, ambos pertencentes ao mesmo grupo empresarial. É nesta área que tem desenvolvido trabalho nas últimas duas décadas, dividindo-se entre a gestão cultural, a curadoria, a academia, a investigação, a reflexão e a escrita sobre práticas artísticas contemporâneas e políticas culturais. Essa combinação de papéis, diz ela, acaba por ser o que mais a satisfaz.

Quando o dstgroup decidiu mudar os seus escritórios em Lisboa da Rua do Alecrim para a Rua da Prata, nem imaginou que o espaço de loja do número 176 pudesse ter este destino. O grupo empresarial de Braga – com atividade na área da construção civil, infraestruturas, água, ambiente e energia – viu ali a oportunidade de cumprir o desejo antigo de abrir uma galeria de arte em Lisboa, irmã mais nova daquela que tem em Braga, cidade onde recentemente inaugurou o Muzeu. A ZET (o nome vem de José Teixeira, presidente do conselho de administração da empresa) foi inaugurada em novembro e, desde então, já expôs o trabalho de Alfredo Cunha, Sara Maia e Rita GT. Até setembro, mostra as fotografias de Nicole Joye.

Helena Mendes Pereira, diretora geral e curadora da ZET, explica que, se em Braga o objetivo é receber “em parceria com outras galerias, autores de renome nacional e internacional, mas também jovens valores que, de outra forma, não seriam apresentados naquele território”, a lógica em Lisboa teve de ser diferente. “A ZET é também uma plataforma de venda online e aqui queremos apresentar os nossos artistas, aqueles em quem acreditamos e que não fazem parte dos ecossistemas de Lisboa e do Porto. São artistas descentralizados ou, como gosto mais de dizer, que habitam outras centralidades.”

“Acaba por ser um espaço de disrupção, onde fazemos o nosso exercício de poder, afirmando que estes artistas também devem ter um palco aqui. Uma espécie de alfinete com o qual estamos a picar um bocadinho o mercado da arte”, provoca Helena Mendes Pereira. Apesar de muito diferentes entre si, a curadora nota-lhes um traço comum: “Todos trazem, com o seu trabalho, reflexões sobre o tempo contemporâneo. Umas mais evidentes, outras menos, mas sempre com um posicionamento político e social com o qual nos identificamos.”

Rua da Prata, 176 / T.253 116 620
Scènes de l’inattendu, de Nicole Joye

Os locais

MUDE – Museu do Design

Rua Augusta, 24 / T.218 171 892

“Um espaço muito interessante. Adoro a programação, o museu tem tido excelentes exposições. É brilhantemente dirigido e é, sem dúvida, um dos bons museus de Lisboa.”

– Exposições: Matriz, de Vanessa Barragão; Autocolante – Iconografia da liberdade; Ver e Ler Paulo de Cantos

Faculdade de Belas-Artes

Largo da Academia Nacional de Belas-Artes / T.213 252 100

“Um espaço muito bonito, gosto muito daquele edifício e daquele corredor com as esculturas. Uma escola que tem uma luz dentro da sua soturnidade. É um misto entre o cheiro a regime, o que é péssimo, e o cheiro a revolução.”

Teatro Nacional de São Carlos

Rua Serpa Pinto, 9 / T.213 253 000

“Está em obras, mas recomendo porque é um dos poucos sítios no país onde se pode ouvir ópera e sou uma grande consumidora desse gênero musical. Além disso, é um teatro muito bonito.”

Coliseu dos Recreios

Rua das Portas de Santo Antão, 96 / T.213 240 580

“Gosto muito do Coliseu e de toda aquela rua. Aprecio a dimensão da sala, não muito grande, mas também não muito pequena. Recentemente, vi lá o trompetista Ibrahim Maalouf, que é incrível, e tenho muitas memórias felizes de concertos muito bons a que assisti ali.”

– Concertos: Belle and Sebastian; Pat Metheny

Hot Clube de Portugal

Praça da Alegria, 48 / T.213 460 305

A funcionar desde 1948 na Praça da Alegria, é o mais antigo clube de jazz em Portugal e na Europa. Fechou em 2023 devido a problemas estruturais no edifício e ainda não reabriu. “Faz ali muita falta. Foi um espaço essencial numa outra minha vida, em que trabalhei com músicos de jazz e o frequentei com regularidade. Vale a pena recuperar a memória de um sítio muito feliz e histórico. Espero que reabra brevemente.”

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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