Quem conhece o trabalho de Sónia Baptista sabe que os espetáculos que cria surgem de suas inquietações e fascínios. Assim foi também com A Cavalo, com estreia marcada para 19 de junho na Sala Bernardo Sassetti do Teatro São Luiz. A primeira lembrança que tem sobre cavalos é de Anita a cavalo, um presente de aniversário de um amigo (que a ajudou a escapar do jogo do bate-pé), mas foi outro o livro que a levou a começar a pesquisa para este espetáculo: As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, ou, mais especificamente, o capítulo Viagem à terra dos Houyhnhnms.
“Comecei a refletir sobre a cultura ao redor dos cavalos e como o que o ser humano lhes faz é uma violência. Esses animais não precisam de nós para nada, absolutamente nada. Desde muito tempo foram domesticados e isso é uma tortura”, defende. Transformados em armas de guerra e em objetos de desejo e dominação, sempre fazem parte do imaginário coletivo – do cavalinho de madeira às estátuas equestres, das horse girls às competições de hobby horse.
Para Sónia Baptista, falar sobre cavalos e seu triste destino não é inocente. “Não consigo deixar de pensar no estado do mundo. Há um momento na peça em que digo: ‘não vês que tu e o cavalo compartilham o mesmo destino porque a exploração do cavalo reflete a exploração humana? Não percebes que estás a replicar o modelo de domínio patriarcal?’. Minhas peças são sempre muito políticas, porque não consigo viver alheada do que acontece ao meu redor.” Sempre com humor dentro e fora de cena, acrescenta: “Acho que tudo isso deveria acabar e que eu deveria fundar uma frente de libertação do cavalo.”
Até isso acontecer, e já para esta semana, são outras as reflexões que nos propõe (ou talvez seja sempre a mesma?).
Marilyn Monroe e Esther Williams
Cinemateca Portuguesa, 1 e 5 de junho, vários horários
“No dia 1 de junho, a Cinemateca exibe There’s No Business Like Show Business (Parada de Estrelas), às 15h30, e Ladies Of The Chorus, às 19h, dois musicais com Marilyn Monroe. Tenho carinho por ela, uma grande figura trágica. Além disso, um musical é ótimo para relaxar um pouco. Depois, no dia 5, às 15h30, passa Bathing Beauty (A Rainha das Sereias), com Esther Williams, por quem também tenho carinho. E são sereias, que adoro. Aqueles filmes são maravilhosos, absurdos: quem pensou nisso?! ”
Coletivo Gira
Fábrica Braço de Prata, a 6 de junho, às 16h
“Todos os sábados, há roda de samba do Coletivo Gira na Fábrica Braço de Prata. Recomendo muito. Já fui a uma e queria ter ido a mais, mas nunca consigo. Mesmo não conhecendo os sambas, a energia é ótima. Elas são maravilhosas e sempre está uma comunidade brasileira que sabe os sambas de cor e os canta. Além disso, é em modo matinée, o que é ótimo. Adoro matinés.”
Aularilolé #13 — Patinar com Mad Rollerdance
Com Madalena Brandão
Rua das Gaivotas 6, a 6 de junho entre as 16h e as 18h
“Não sei patinar… tenho uma performance [Haikus] em que patino, mas na verdade não patino, só estou em cima de patins. Gostaria de saber, mas duvido um pouco das minhas capacidades. No meu espetáculo Dykes on Ice, é a Joana Levi que entra a patinar vestida de urso polar… Por isso, acho que uma aula de rollerdance será incrível. Não sei se vai correr bem e não posso cair porque estreio um espetáculo a seguir, mas aprender seria maravilhoso. Acho perfeito. Eu iria, se pudesse.”
L’Allegro, il Penseroso ed il Moderato, de G.F. Handel
Ode pastoral de um poema de John Milton
Teatro São Luiz, a 6 de junho, 20h
“Gosto muito. Há muito tempo que recomendo porque o Mark Morris, coreógrafo, fez há algum tempo uma coreografia em cima desta música. É uma peça linda, cheia de alegria. Essa coreografia é muito descritiva, seguindo o poema de Milton, e é linda de ver. Tenho pena que aqui seja só a música, que não haja a coreografia, mas será lindo na mesma. E é no São Luiz, onde já estarei em ensaios, então será só descer à Sala Luís Miguel Cintra.”
Felicidade, de Mary Oliver
Editora Flâneur
“Tenho estado um pouco afastada da poesia em termos de escrita, mas vou recomendar poesia. Gosto muito de Mary Oliver, os poemas dela são muito especiais. Este livro Felicidade, da editora Flâneur, tem oito poemas traduzidos por Luís Matos.”
Feira do Livro e passear entre as árvores
Parque Eduardo VII, até 14 de junho
“Eu já tenho muitos livros para ler, mas vou à Feira do Livro e comprem livros, leiam muito, leiam coisas novas, coisas que não conhecem. Saia do habitual, se lê ficção, leia ficção sobre pessoas muito diferentes de você. Porque é importante sair da nossa bolha e nos colocarmos nos sapatos de outra pessoa. E vão passear entre as árvores. Faz sempre bem e está mais fresquinho à sombra. Há passarinhos e o cheiro bom da primavera.”





