Setor bélico encerra 2025 mais unificado, avançado e com a Europa em fortalecimento estratégico

Setor bélico encerra 2025 mais unificado, avançado e com a Europa em fortalecimento estratégico

O fechamento de 2025 destaca um movimento duplo na indústria global de Defesa: os Estados Unidos permanecem com uma posição predominante, apoiados por grandes empresas de alcance global, enquanto a Europa acelera o fortalecimento de sua autonomia estratégica, impulsionada pela guerra na Ucrânia e pelo aumento dos investimentos militares.

O ano de 2025 encerra com a indústria global de Defesa mais concentrada e tecnológica, fortemente influenciada pelas tensões geopolíticas que dominaram a segunda metade da década. De acordo com o Defense Global Market Report 2025, da consultoria britânica The Business Research Company (TBRC), os dez maiores grupos do setor geraram cerca de 47% das receitas globais em 2024, o que ilustra bem a importância dos grandes contratantes internacionais em um mercado com altas barreiras à entrada.

Segundo um comunicado da TBRC, o mercado de defesa é caracterizado por uma combinação de empresas globais e novos participantes regionais. Essas empresas estão focadas em armamentos de última geração, tecnologias avançadas de vigilância e soluções integradas de defesa para fortalecer sua presença no mercado e aprimorar as capacidades de segurança nacional.

Na liderança permanece a norte-americana Lockheed Martin, responsável por 14% das vendas globais, aproveitando um portfólio altamente diversificado que abrange desde a aeronáutica militar até sistemas de mísseis, espaço, radares e soluções integradas de defesa aérea e antimíssil. Em seguida estão BAE Systems (7%), Raytheon Technologies (RTX) (6%), Boeing (5%) e L3Harris Technologies (4%)

Europa reforça autonomia estratégica

Em um contexto de guerra prolongada na Ucrânia e crescente debate sobre a autonomia estratégica europeia, o relatório ressalta o fortalecimento do papel da Europa Ocidental na indústria de Defesa. Grupos como Airbus, Thales, Leonardo, Saab, Rheinmetall e Safran consolidaram suas posições ao longo de 2024 e 2025, beneficiando-se do aumento dos orçamentos militares e de novos programas conjuntos no âmbito da União Europeia e da NATO.

A Alemanha e a França destacam-se como motores de investimento industrial, especialmente nas áreas de munições, veículos blindados, sistemas de defesa aérea e sensores avançados. A Rheinmetall, por exemplo, tem expandido sua capacidade produtiva para atender à demanda crescente, enquanto a Thales e a Airbus reforçam seus investimentos em ciberdefesa, espaço e inteligência artificial aplicada à vigilância e comando.

O relatório também identifica uma intensificação das parcerias transnacionais, muitas vezes apoiadas por fundos europeus, com o objetivo de reduzir dependências externas e acelerar a inovação tecnológica.

Drones, IA e cibersegurança marcam o fechamento do ano

Entre as principais tendências competitivas que marcaram 2025 está o rápido desenvolvimento de sistemas contra drones e ameaças assimétricas, além do aumento no investimento em inteligência artificial, análise de dados em tempo real e defesa cibernética. O relatório destaca soluções capazes de detectar e neutralizar enxames de drones em poucos segundos, uma resposta direta à evolução dos conflitos recentes.

As empresas líderes estão cada vez mais investindo em plataformas integradas, combinando sensores, satélites, nuvem e IA, além de parcerias estratégicas para acelerar a inovação e garantir acesso a mercados externos.

Um setor em consolidação permanente

À medida que 2025 chega ao fim, a indústria de Defesa se estabelece como um dos setores mais estratégicos da economia global. A TBRC prevê que a consolidação entre grandes grupos, a cooperação internacional e a crescente importância da Europa continuarão a ser características marcantes na próxima década.

Em um mundo mais fragmentado e instável, a Defesa deixou de ser apenas uma questão militar para se consolidar como um tema central de soberania industrial, tecnologia e política econômica — também para países como Portugal, cuja relevância aumenta à medida que se especializa e se integra na Europa.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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