“Não vou comentar números. Aqueles que quiseram fazer greve o fizeram, é um direito deles, [mas] a maioria da administração pública estava a trabalhar e a esmagadora maioria do setor privado estava a trabalhar,” afirmou Joaquim Miranda Sarmento, falando a jornalistas portugueses em Bruxelas no final da reunião dos ministros das Finanças da União Europeia.
Questionado se estava a contradizer os números dos sindicatos sobre a greve geral de quinta-feira, o oficial respondeu: “Estou a dizer que houve pequenas situações em alguns serviços públicos onde a greve teve algum efeito, mas, no geral, o país funcionou.”
“Basta ver que o consumo de eletricidade foi mais ou menos ao nível habitual de um dia de semana, e as máquinas multibanco também registaram retiradas dentro do que é habitual, portanto, o país continuou a funcionar, e quem quis fazer greve tem esse direito,” acrescentou.
Quando questionado sobre as declarações do Primeiro-Ministro sobre o aumento do salário mínimo nacional para 1.600 euros, atualmente em 870 euros, o Ministro das Finanças hesitou em especificar um cronograma.
“Seria especulativo” dizer quando isso poderia acontecer, uma vez que “depende de muitas variáveis. Temos que ter ambição, ambição para reformar o país, aumentar a produtividade e alcançar mais crescimento econômico,” enfatizou.
No entanto, de acordo com Joaquim Miranda Sarmento, “o objetivo [de um salário mínimo de 1.600 euros] está no programa eleitoral.”
Sobre as negociações de reforma laboral entre o governo e os sindicatos, Joaquim Miranda Sarmento afirmou que estas discussões “estão em curso.”
“Na verdade, a greve acontece no meio de uma negociação, porque nenhuma das partes terminou essa negociação, e certamente não o governo,” concluiu.
A greve geral foi convocada pelas organizações sindicais CGTP-IN e UGT, em oposição às alterações à legislação laboral apoiadas pelo governo.
Enquanto o governo estimou a participação da greve entre 0% e 10%, os sindicatos reivindicaram mais de 80% de participação, com 100% em serviços como o Metropolitano de Lisboa.









