Ao chegar para uma reunião com a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Vila Nova de Gaia (ACIGAIA), Ventura afirmou que a nova lei laboral “deveria ter sido negociada ponto a ponto, passo a passo, desde o início do verão” e que “se já estamos a chegar a uma greve, é mau para o país.”
“Estamos um pouco a jogar ao gato e ao rato. Honestamente, acho que isso é negativo. É culpa do Governo, assim como um pouco destes sindicatos ultrapassados, mas esta é a realidade que temos”, disse André Ventura, enfatizando que o executivo de Montenegro deveria ter negociado com os setores laborais.
Atribuindo a culpa ao Governo, mas também à “intransigência dos sindicatos, que muitas vezes já não representam ninguém”, especialmente a “líderes que não trabalham há 20 ou 30 anos e estão a jogar o jogo político da extrema-esquerda, que foi diminuída no parlamento”, Ventura afirmou que “o país precisa de uma nova lei laboral com flexibilidade, adaptada à economia moderna”, sublinhando que “aqueles que trabalham também precisam de ter os seus direitos garantidos.”
“Refiro-me a questões que atualmente estão a causar algum desconforto entre os setores laborais e que poderiam ter sido negociadas (…). Isto não foi feito a tempo, e o Governo trouxe isto de forma desajeitada agora. Temos dito desde julho que era necessário diálogo”, afirmou o candidato.
O líder do Chega enumerou, entre outras questões, o banco de horas, o teletrabalho, o direito à greve e as compensações decorrentes do direito à greve, bem como aquelas relacionadas com os direitos de amamentação, como exemplos de aspectos “mal negociados”.
“A questão da amamentação e o direito à amamentação, num país com os conhecidos problemas de natalidade que temos, era uma questão que poderia ter sido abordada. O Governo escolheu não fazê-lo, preferiu não tratar disso, deixou a questão seguir o seu curso. Podemos ter flexibilidade, sem dar a impressão de que o país é um lugar onde se pode despedir alguém a qualquer momento, por capricho”, salientou.
De acordo com Ventura, chegar a uma greve geral em Portugal “é mau para o país, mau para as empresas e mau para os trabalhadores.”
“É mau para todos. O país para, e isso é um sinal negativo. Estamos confortáveis porque estivemos do lado do senso comum desde o início. Isto não é uma questão de direita ou esquerda. Queiramos ou não, uma greve geral é má para o país, para a economia e tem um efeito significativo prejudicial nas nossas finanças públicas. Isto deveria ter sido evitado antes de chegar a este ponto”, concluiu.
A greve geral foi anunciada há uma semana pelo secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, no final da marcha nacional contra o pacote laboral, que levou milhares de trabalhadores pela Avenida da Liberdade em Lisboa, protestando contra as mudanças propostas pelo Governo de Luís Montenegro.
Após o anúncio da greve, os manifestantes mostraram apoio à paralisação de 24 horas, gritando “o ataque é brutal, vamos à greve geral.”
Na quinta-feira, a UGT aprovou unanimemente a decisão de proceder em convergência com a CGTP.
Esta será a primeira greve a unir ambos os centros sindicais desde junho de 2013, quando Portugal estava sob a intervenção da ‘troika’.









