Érica nasceu e cresceu no bairro onde a avó se mudou em 1974, vindo de Cabo Verde. A neta de D. Alice chegou a ser jogadora profissional de futsal e foi a primeira da sua família a obter um diploma. Concluiu o curso de Comunicação Social e Cultural na Universidade Católica, mas, devido à pandemia, seus planos mudaram e ela percebeu que poderia transformar um hobby que muito gostava em um negócio: a limpeza e personalização de calçado e outros acessórios. Atualmente, aos 28 anos, é vice-presidente da Passa Sabi, onde está desde o início, e também gestora das redes sociais da associação.
Pela porta da Passa Sabi, é possível fazer diversas atividades: perguntar sobre a moradia de alguém do bairro, pedir ajuda para interpretar um documento oficial ou para imprimi-lo, buscar esclarecimento sobre medicação, assim como participar de oficinas de culinária, cuidados de beleza, pintura, teatro ou aprender sobre a história do grafiti. A associação foi criada há 12 anos para recuperar o espírito comunitário que parecia ter se perdido com a substituição das barracas do Rego por prédios nas proximidades. Hoje, continua a oferecer apoio a todos os moradores da área.
“A Passa Sabi é um local seguro e de partilha. O nome – que significa “passar bem” em crioulo – reflete a ligação à comunidade cabo-verdiana, que foi a fundadora, juntamente com comunidades portuguesa e cigana. Temos muito orgulho de sermos um bairro multicultural, onde todos convivem harmoniosamente”, comenta Érica Monteiro, vice-presidente da associação. Além de seu lado social, buscam também desenvolver uma vertente cultural em seu trabalho. “Não é que as pessoas não queiram ter cultura, mas muitas vezes não têm acesso a ela. Temos uma expressão aqui que é ‘sai da escada!’ porque é nos degraus desses prédios que ocorrem muitos encontros. É importante que sintam-se confortáveis para estar em novos ambientes. Às vezes, tudo o que precisam é de um incentivo para experimentar coisas novas, sem medo de não pertencer ou do julgamento.”
O projeto Ateliê 63 tem contribuído significativamente para isso, oferecendo espaço para residências e estimulando jovens do bairro através de oficinas com diferentes mentores, estendendo suas atividades a toda a comunidade que deseja participar das apresentações. O objetivo do projeto é trabalhar a autoestima e oferecer novas habilidades aos participantes. A cozinha comunitária, inaugurada recentemente, também serve como ponto de encontro e apoio para quem precisa. A ideia continua a ser a mesma: que todos se sintam bem por aqui.
Passa Sabi, Rua Augusto Abelaira, 12A
Os locais
Avenidas – Um Teatro em Cada Bairro
Rua Alberto de Sousa, 10A / 218 172 400
“É um espaço que traz cultura à comunidade de forma gratuita e que dá visibilidade a pequenos e grandes artistas. Tem sido nosso parceiro nos últimos seis meses e voltaremos em breve com uma exposição.”
Restaurante africano O Nelson
Rua da Beneficência, 59 / 217 960 408
“O Nelson é um dos fundadores da Associação Passa Sabi e seu antigo vice-presidente. Este restaurante é um espaço de convívio e cultura para nós, onde são servidos pratos de origem cabo-verdiana, como a cachupa e o funge. Recentemente, tem sido palco da Mesa Brasileira, uma roda de samba gigante, gratuita e aberta a todos.”
IPAV – Instituto Padre António Vieira
Rua Marciano Henriques da Silva, 32B / 215 855 309
“O IPAV oferece um grande apoio à comunidade”, diz Érica Monteiro sobre esta associação cívica sem fins lucrativos, reconhecida como uma organização de utilidade pública e Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento, especializada em promover a cultura colaborativa e a “unidade na diversidade”. “Eles foram fundamentais através do projeto da Incubadora, ajudando-nos a criar a Passa Sabi e oferecendo ferramentas valiosas. Até hoje, continuam a ser um dos nossos grandes parceiros.”
Galeria Artistas de Angola
Rua Sousa Lopes, 12A
“A galeria realiza exposições e é muito focada nas artes plásticas, que são raras por aqui. Eles atendem a comunidade angolana que se mudou para este bairro, mas também estão abertos a outras comunidades. É um ótimo lugar para visitar.”









