Entidade denuncia proteção por não reverter ciclo de distanciamento dos profissionais de saúde

Associações de Médicos e Enfermeiros solicitam ao Executivo fortalecimento do sistema nacional de atendimento pré-hospitalar.

Em declarações aos jornalistas, à margem do 28.º Congresso Nacional da OM, que se realiza hoje e sábado em Coimbra, Carlos Cortes afirmou que um dos principais problemas do SNS, “se não o principal, é a falta de médicos nos hospitais, nos serviços de urgência e nos centros de saúde”.

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) criticou hoje o Ministério da Saúde por não ter tomado até agora nenhuma iniciativa para reverter o afastamento dos médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Carlos Cortes destacou que a atratividade para os médicos é um aspeto fundamental a ser trabalhado pelo Ministério da Saúde. “Espero que rapidamente comecem a atuar neste aspecto crucial para resolver os problemas do SNS”, enfatizou.

De acordo com o dirigente, até hoje não existem iniciativas do ministério que visem inverter a tendência de afastamento dos médicos do SNS. “Dados que recolhi mostram que cerca de 50% das vagas para a especialidade de saúde geral e familiar estão ocupadas. Hoje é o último dia, e ainda faltam cerca de 300 vagas por preencher, o que reflete claramente esse afastamento no SNS”, sublinhou.

Carlos Cortes defendeu que a tutela deve encontrar uma nova abordagem para atrair médicos, que não se limite apenas à remuneração, mas que inclua um conjunto de medidas que a OM já apresentou ao Ministério da Saúde, mas cujo desenvolvimento ainda não ocorreu.

Em seu discurso na abertura do 28.º congresso, sob o tema “Um rumo para a saúde”, o bastonário reiterou que o problema do SNS é a falta de investimento “na eficiência do sistema, em mudanças estruturais absolutamente indispensáveis e na atratividade para contratar os médicos e outros profissionais necessários ao seu desenvolvimento”.

“Creio que a falta de profissionais é um dos principais problemas do SNS. Se o SNS tivesse os médicos que necessita, não estaríamos enfrentando tantas dificuldades”, destacou.

Carlos Cortes também abordou a questão das carreiras médicas, considerando-as um “ponto essencial e estruturante do SNS”, que foi reduzido a um mero mecanismo de progressão salarial ao longo da vida de um médico. “É absolutamente fundamental que as carreiras sejam atualizadas e funcionem para que possamos trabalhar na atratividade do SNS”, afirmou, ressaltando a necessidade de uma carreira médica atraente, focada no desenvolvimento técnico-científico e não apenas na remuneração.

O dirigente criticou a tutela por agir “permanentemente em estado de contingência”, onde as decisões tomadas nos últimos anos no SNS “não são as melhores, mas sim decisões secundárias, devido à falta de recursos humanos”.

“Atualmente, se não temos médicos, estamos a procurar outras profissões menos qualificadas, o que não é o caminho certo para o SNS e para a qualidade dos cuidados prestados aos pacientes”, sustentou.

Por fim, Carlos Cortes alertou o Governo de que a questão dos estatutos “desajustados” da OM e do ato médico permanecerá na agenda até que a situação seja resolvida, conforme as promessas feitas pelo Governo nos últimos anos.

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