A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) manifestou preocupações em relação ao aumento projetado de 4,5% nas despesas, conforme delineado no orçamento do Estado proposto para 2026 (OE2026), e à revisão em baixa do crescimento económico do país.
A confederação, liderada por Armindo Monteiro, destacou: “O nosso país tem apresentado taxas de crescimento quase anêmicas, constantemente aquém do nosso potencial, mas com aumentos significativos nas despesas correntes.” Enfatiza a necessidade de “medidas mais vigorosas” para aumentar a produtividade, sofisticar o ambiente empresarial e melhorar a economia com “novos fatores competitivos.”
A CIP também observa uma “erosão dos salários líquidos” após a atualização das tabelas do IRS, argumentando que isso fica “abaixo do necessário” para “garantir a neutralidade fiscal” e descreve as reduções de taxas como “tímidas.”
A nova tabela proposta pelo Governo inclui uma redução nas taxas do IRS entre os 2º e 5º escalões, com uma atualização de 3,51% nos valores que definem cada escalão do IRS.
A CIP afirma: “A proposta do OE2026 requer determinação na implementação da Reforma do Estado para garantir que os serviços de interesse público sejam prestados com maior qualidade, consumindo uma porção menor dos recursos produzidos pela economia.” Também pede esforços para alcançar investimentos públicos, uma vez que a execução nos últimos anos “ficou muito aquém dos valores orçamentados.”
Notando um aspecto positivo, a CIP acolhe o aumento de 6,8% no investimento público, “aumentando sua participação na economia de 3,3% para 3,4%,” juntamente com a diminuição da carga tributária, embora realizada “muito lentamente,” e a “continuação da trajetória de redução da dívida pública, embora à custa de um aumento da receita em vez de cortes nas despesas.”
A confederação empresarial espera que, durante as discussões específicas ou juntamente com o OE2026, seja possível propor outras medidas, como o Regime Geral de Taxas e Contribuições, um regime fiscal simplificado para microempresas, que “também inclui uma profunda simplificação de todas as obrigações administrativas e contabilísticas que oneram as pequenas empresas,” e a implementação de um “15º mês sem as suas atuais limitações,” argumenta.
O Governo submeteu hoje o OE2026 ao parlamento, pouco antes do prazo e três dias antes das eleições municipais de domingo.
No cenário macroeconómico, o Governo PSD/CDS-PP prevê um crescimento do PIB de 2% este ano e de 2,3% em 2026.
O executivo visa alcançar superávits de 0,3% do PIB em 2025 e 0,1% em 2026. Quanto à razão da dívida, prevê-se que diminua para 90,2% do PIB em 2025 e 87,8% em 2026.
A proposta será discutida e votada em geral de 27 a 28 de outubro, com a votação final global marcada para 27 de novembro, após o processo de debate detalhado.









