Trocar modelo português de assistência será falha paga com vidas, afirmam líderes das VMER

Trocar modelo português de assistência será falha paga com vidas, afirmam líderes das VMER

As coordenações das viaturas de emergência médica enviaram um comunicado à tutela, no qual afirmam que o modelo português atual de socorro é o mais adequado para os doentes, alertando que a sua substituição seria um erro grave, com repercussões fatais.

Na mensagem endereçada à ministra da Saúde e à Comissão Parlamentar de Saúde, 42 coordenações de Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) e a Equipa Médica de Intervenção Rápida (EMIR) da Região da Madeira destacam os “riscos” envolvidos no desmantelamento do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), que tem proporcionado qualidade, segurança e equidade nas respostas pré-hospitalares.

A manifestação das VMER ocorre em resposta à recente mudança de liderança do INEM, com a substituição de Sérgio Janeiro por Luís Cabral, cuja nomeação tem sido contestada devido às políticas implementadas nos Açores.

Os signatários do comunicado enfatizam que a emergência médica não deve ser tratada como um exercício de improviso ou um espaço para ideologias, mas sim como um campo que exige rigor, ciência e responsabilidade pública.

Os coordenadores das VMER afirmam que “a literatura é clara”: intervenções médicas adequadas salvam mais vidas, reduzem sequelas e apresentam taxas de sobrevivência mais elevadas após paragens cardiorrespiratórias, além de proporcionarem melhor controle da dor e estabilização mais rápida da hemodinâmica e da respiração.

“Em suma: substituir este modelo consolidado e especializado por alternativas genéricas, vindas de contextos distantes da nossa realidade clínica, seria um erro colossal, com perda de vidas”, enfatizam.

As VMER também expressam apoio sólido a uma proposta conjunta da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Enfermeiros, datada de 14 de outubro de 2025, que sugere reforços nos três níveis de suporte existentes, uma melhoria nos centros de orientação de doentes urgentes (CODU) e investimento em formação qualificada e contínua.

“O SIEM é uma conquista coletiva — um sistema que combina rapidez com competência e humanidade. É um patrimônio técnico e moral que deve ser protegido e reforçado. Desmantelá-lo seria um retrocesso histórico. O que se requer é investimento em formação, valorização das equipes, consolidação do papel do INEM e a preservação da matriz médico-enfermeiro que o distingue e torna exemplar”, concluíram.

Na sexta-feira, uma fonte do Ministério da Saúde confirmou à Lusa a substituição do presidente do INEM, Sérgio Janeiro, dentro do processo de seleção iniciado em janeiro deste ano, sem contudo revelar o novo nome que ocupará o cargo.

Vários meios de comunicação noticiaram na mesma sexta-feira que Luís Cabral poderia ser o sucessor, sendo que o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) expressou “preocupações legítimas” sobre essa possível nomeação, solicitando uma reavaliação da decisão.

Segundo o sindicato, as declarações públicas e o trabalho de Luís Cabral nos Açores são incompatíveis com as melhores evidências científicas e baseiam-se em um sistema que custa seis vezes mais do que aquele vigente no continente.

Tanto o Ministério da Saúde quanto o Presidente da República esclareceram que a decisão sobre a substituição do presidente do INEM seguiu critérios estabelecidos pela Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP).

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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