Imported Article – 2026-01-29 18:44:51

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Cientistas da Universidade de Southampton desenvolveram uma nova estratégia destinada a fortalecer como o sistema imunológico responde ao câncer. A abordagem visa ajudar as células imunológicas a reconhecer e atacar os tumores de forma mais eficaz.

As descobertas foram relatadas na revista Nature Communications. No estudo, os pesquisadores testaram anticorpos especialmente projetados para ativar mais fortemente as células T, as células imunológicas responsáveis por matar as células cancerígenas.

Como os Anticorpos Podem Potencializar os Sinais Imunológicos

Esses anticorpos funcionam ao capturar e agrupar vários receptores de células imunológicas ao mesmo tempo, o que aumenta a força do sinal que diz a uma célula T para atacar o câncer. Quando esses sinais são mais fortes, as células T têm maior probabilidade de desencadear uma resposta imunológica completa.

A equipe de pesquisa do Centro de Imunologia do Câncer da Universidade de Southampton se concentrou em um receptor chamado CD27. Este receptor precisa de uma chave correspondente (ligante) para ativar as células T. Durante infecções, o corpo produz naturalmente esse ligante, mas as células cancerígenas não o fazem. Sem ele, as células T recebem apenas um sinal de ativação fraco e lutam para atacar os tumores de forma eficaz.

Por que os Anticorpos Tradicionais Não São Suficientes

Os anticorpos podem, às vezes, agir como uma chave mestra, ajudando a desencadear respostas imunológicas. No entanto, a maioria dos anticorpos usados na medicina hoje possui uma estrutura em forma de Y com dois braços, o que os limita a se ligar a apenas dois receptores por vez.

Embora os tratamentos baseados em anticorpos tenham transformado o cuidado do câncer, eles não funcionam para todos os pacientes. Em alguns tipos de câncer, as células T ainda não conseguem se ativar completamente porque estão perdendo a combinação de sinais necessária para realizar um ataque forte.

Um Design de Anticorpo de Quatro Braços

Os anticorpos desenvolvidos neste estudo foram construídos com quatro braços de ligação em vez de dois. Isso permite que eles se conectem a mais receptores simultaneamente. Eles também recrutam uma segunda célula imunológica, que força todos os receptores de CD27 que estão sendo retidos a se reunir. Esse agrupamento amplifica muito o sinal de ativação e imita de perto como o CD27 é acionado naturalmente no corpo.

O professor Aymen Al Shamkhani, da Universidade de Southampton, que liderou a pesquisa, disse: “Já entendíamos como o sinal natural de CD27 do corpo liga as células T, mas transformar esse conhecimento em um medicamento foi o verdadeiro desafio. Os anticorpos são moléculas confiáveis que fazem excelentes medicamentos. No entanto, o formato natural do anticorpo não era poderoso o suficiente, então tivemos que criar uma versão mais eficaz.”

Ativação Mais Forte das Células T Combatendo o Câncer

Testes de laboratório com camundongos e células imunológicas humanas mostraram que os novos anticorpos eram muito melhores em ativar células T CD8+ do que os anticorpos em forma de Y padrão. As células T CD8+ são muitas vezes descritas como as forças especiais do sistema imunológico por causa de sua capacidade de destruir diretamente as células cancerígenas. A ativação aprimorada levou a uma resposta antitumoral mais forte.

Ao tornar o CD27 mais fácil de ser visado com a terapia, a pesquisa oferece um roteiro para o desenvolvimento de novos tratamentos de imunoterapia que aproveitam melhor o poder natural do sistema imunológico.

O professor Al Shamkhani acrescentou: “Essa abordagem pode ajudar a melhorar os tratamentos futuros para o câncer, permitindo que o sistema imunológico trabalhe mais perto de seu pleno potencial.”

O estudo foi financiado pela Cancer Research UK e destaca o papel do Centro de Imunologia do Câncer no avanço de abordagens inovadoras para a imunoterapia do câncer.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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