“Aqueles que acreditam que o problema da falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) pode ser resolvido apenas através de ajustes salariais estão completamente enganados e demonstram um desconhecimento do setor,” afirmou Carlos Cortes após uma reunião com o Ministério da Saúde.
Ele destacou que uma série de outras medidas em diferentes áreas, como formação, investigação e condições de trabalho, pode ajudar a mitigar a escassez de médicos no setor público, que ele descreveu como o atual “grande problema” do SNS.
Entre as medidas do pacote abrangente a ser implementado ao longo de dois anos, Carlos Cortes enfatizou a “absoluta necessidade” de criar uma nova carreira médica que reflita a realidade da medicina em Portugal, juntamente com um programa para facilitar o regresso de médicos portugueses que trabalham no exterior.
“Muitos médicos no exterior entraram em contacto comigo para saber como podem retornar,” afirmou o representante, acrescentando que os Ministérios da Saúde e dos Negócios Estrangeiros “podem e devem fazer um esforço” nesse sentido.
O oficial observou que este conjunto de medidas, também enviadas aos grupos parlamentares, está sendo apresentado em um “momento estratégico” enquanto ocorrem discussões sobre o Orçamento do Estado de 2026.
“Estamos aqui para colaborar, e a Ordem dos Médicos é parte da solução,” afirmou o presidente.
O documento revisado pela Lusa alerta que a escassez de médicos “compromete a capacidade de resposta, a qualidade do atendimento e o acesso atempado ao SNS,” propondo medidas em cinco áreas estratégicas a serem implementadas de forma integrada.
No que diz respeito às condições de trabalho, defende horários “humanos e flexíveis,” com escalas publicadas com pelo menos quatro semanas de antecedência, bem como segurança e bem-estar aprimorados para os médicos, com medidas efetivas de prevenção e dissuasão contra a violência no trabalho.
A Ordem dos Médicos também busca o reconhecimento formal da medicina como uma profissão com riscos inerentes e desgaste rápido através de um status legal dedicado e assegurando que os locais de trabalho—hospitais e centros de saúde—estejam adequadamente equipados para a prestação de cuidados.
Quanto à nova carreira, que deve começar durante a residência, a associação argumenta que deve proporcionar uma trajetória de carreira previsível nos setores público, privado e social.
Outra medida proposta é a condução expedita, transparente e programada de concursos para tanto novos especialistas quanto para progressão na carreira em diferentes níveis.
O documento também propõe a criação de incentivos para áreas essenciais, sugerindo que médicos que aceitem cargos nessas localidades recebam um bônus inicial de instalação e apoio adicional para a continuidade do serviço.
O plano prevê a criação de pacotes de apoio logístico e social para a instalação da família, como cuidados infantis, escolarização e integração do cônjuge no mercado de trabalho, um modelo que reconhece que as decisões de assentamento dependem tanto da qualidade de vida do médico quanto das condições oferecidas à sua família.
A Ordem dos Médicos sugere medidas para garantir que os médicos do SNS tenham acesso a oportunidades de formação e investigação, e defende o estabelecimento de unidades de saúde familiar de Tipo B em todo o país, com autonomia organizacional e financeira, além de novas tecnologias relacionadas ao setor, como telemedicina e inteligência artificial.
“As 25 medidas aqui apresentadas constituem um pacote coerente, interdependente e indivisível. A implementação parcial reduziria o impacto e comprometeria a eficácia,” alerta o documento.









