Inaugurada em 1996, a Quinta Pedagógica surgiu da vontade de conectar os habitantes da cidade a uma realidade que se torna cada vez mais distante: a vida no campo, os ciclos da natureza e os saberes tradicionais. Atualmente, recebe mais de 160 mil visitantes anualmente e continua a ser um espaço privilegiado de aprendizagem, onde crianças e adultos podem conhecer raças autóctones, participar em tarefas agrícolas e descobrir o caminho do pão e do doce. A Quinta é também feita de pessoas: jardineiros, tratadores de animais, veterinários e muitos outros colaboradores que, diariamente, se dedicam a garantir o funcionamento deste pequeno ecossistema.
Trabalha na Quinta desde o primeiro dia. Há 30 anos que faz parte da equipa pedagógica, responsável por planejar e dinamizar atividades para escolas, famílias e seniores. Ao longo do dia, conduz visitas, prepara oficinas e acompanha grupos que chegam para conhecer os animais, as plantas e as tradições do mundo rural. “O lado pedagógico é o que torna este lugar tão especial”, diz.
Formada em história, Ana encontrou aqui um caminho no ensino não formal, onde o contato direto com pessoas, animais e natureza é central. Entre vacas, galinhas, ovelhas, burros ou hortas, busca aproximar gerações e compartilhar saberes rurais. “Há muitas crianças que nunca viram estes animais ao vivo. Ver a alegria delas quando chegam aqui é uma grande felicidade.”
Na Quinta, o veterinário divide o seu tempo entre a assistência aos cerca de mil animais que ali habitam e o acompanhamento das atividades pedagógicas com grupos escolares. “O meu dia a dia passa tanto pelo cuidado clínico dos animais como pelas atividades ligadas a eles com as crianças”, explica. Trabalhar num espaço com tantas espécies diferentes exige grande versatilidade: “Sou o único veterinário aqui, por isso tenho de ser muito generalista.”
Mais do que tratar animais, Augusto vê na Quinta uma missão educativa. “É muito curioso perceber o desconhecimento que muitas crianças têm sobre os animais; às vezes não sabem distinguir uma cabra de uma ovelha.” É precisamente aí que entra o trabalho da equipa: aproximar os mais novos da vida rural e ajudá-los a descobrir um mundo que, para muitos, ainda é desconhecido.
Desde 1999 cuida da horta, do pomar e da estufa da Quinta Pedagógica, garantindo que estes espaços estejam produtivos e prontos para receber os visitantes. “As minhas tarefas passam por manter a horta saudável e apresentável, orientar o pomar e tratar da estufa”, explica.
Aqui pratica-se agricultura biológica e tudo é feito de forma artesanal: “Quase não usamos máquinas; trabalhamos a terra à mão e fazemos a nossa própria compostagem.” Mais do que produzir alimentos, o objetivo é ensinar. “Queremos mostrar às crianças de onde vêm as culturas hortícolas: que as batatas crescem debaixo da terra ou que as favas se colhem na planta.” No pomar, com mais de uma centena de árvores de 38 espécies, e na horta, muitos descobrem pela primeira vez o contato com a terra. “Vê-las a mexer na terra, a maioria pela primeira vez, é muito bonito.”
Ainda antes da Quinta abrir ao público, já Dina ajudava a dar-lhe forma; agora, três décadas depois, prepara-se para a reforma. Começou como jardineira, mas hoje dedica-se sobretudo ao cuidado dos animais. “De manhã, quando chego, os animais começam logo a chamar-me. Adoro ouvir os vários sons, todos ali em sintonia.”
Dina inicia o dia alimentando-os, distribuindo rações, preparando o feno e limpando os estábulos. “Não se para um segundo, há sempre coisas para fazer.” Entre tarefas, também acompanha a chegada dos visitantes, sobretudo das crianças. “Ver o sorriso delas quando visitam os animais ou ajudam nas pequenas tarefas é encantador.” Ao longo dos anos, criou laços com a maioria dos animais da Quinta. “Tinha uma relação especial com o cavalo Lanceiro, que já morreu, mas agora dou e recebo muitos mimos do burro Jagós, que é extremamente meigo.”
Trabalha na Quinta há cerca de dez meses e dedica seu tempo ao cuidado direto dos animais. As tarefas começam cedo: “A primeira coisa que fazemos é alimentar todos os animais e limpar os espaços onde estão.” Ao longo do dia, assegura que não falta água nem ração e acompanha os bichos, escovando-os e mantendo a higiene dos estábulos.
Para Inês, o que torna este lugar especial é a combinação entre natureza e proximidade com os visitantes. “Considero um privilégio poder trabalhar com animais num espaço assim, com sol e tantos espaços verdes.” Muitas vezes, são as crianças que tornam os dias memoráveis. “Ver a reação delas é o melhor.” Recorda, por exemplo, o recente nascimento de um cabrito, que reuniu visitantes e equipe no prado. “As pessoas começaram a bater palmas.” Entre os animais, tem uma ligação especial com a Peppa, uma porquinha que ajudou a criar com biberão. “Faço o que quero dela”, assegura.
Sandra Moutinho coordena a Quinta Pedagógica desde 2006, garantindo o funcionamento diário deste espaço que recebe milhares de visitantes. O seu trabalho passa por articular as equipas e assegurar que tudo está preparado para acolher o público. “A Quinta é um espaço vivo e, por isso, todos os dias são diferentes”, afirma.
Entre imprevistos e planejamento, o objetivo é manter a dinâmica e a curiosidade de quem a visita. “Queremos que cada pessoa que saia daqui tenha vontade de regressar.” Para a coordenadora, a sensação de estar no campo sem sair de Lisboa é uma característica única deste local. “Tem calma, tranquilidade… às vezes basta dar uma volta pela Quinta e dois dedos de conversa com os burros Bucho e Jagós para tudo voltar ao lugar.” Criada para aproximar as crianças do mundo rural, a Quinta Pedagógica tornou-se também um espaço de memória, lazer e bem-estar para toda a cidade.









