Sónia Silva: Guiné

Sónia Silva: Guiné

A executiva guineense Sónia Silva fundou a For Women by Women (FWBW) em 2020, uma iniciativa voltada para o empoderamento de mulheres e jovens por meio da educação.

Nascida em Lisboa e com raízes na Guiné-Bissau e Cabo Verde, Sónia viveu entre esses lugares até se afastar do mundo lusófono. Trabalhando no setor de banca de investimento em Nova Iorque, a filantropia a trouxe de volta às suas origens – sua mãe é guineense e portuguesa, enquanto seu pai é guineense e cabo-verdiano. A criação da FWBW surgiu durante a pandemia, como um momento fértil para novas ideias, em seu apartamento em Manhattan. “Lembro-me claramente de ter instalado algumas coisas na parede e pensado: você pode fazer mais. Mentoria, orientação profissional, treinamentos… Eu já fazia isso no banco. Sempre fui envolvida no desenvolvimento de pessoas. Tenho um apreço natural por isso”, recordou Sónia em entrevista ao Jornal Económico (JE).

A missão da FWBW é sustentada por cinco pilares – formação, orientação profissional, saúde, bem-estar e uma rede de contatos – e se concretiza por meio de conferências, feiras e cursos práticos, como workshops e masterclasses, com ênfase nas soft skills e inteligência emocional.

“Neste ano, realizamos pela primeira vez uma roda de conversa sobre saúde emocional e empoderamento feminino. Mulheres, jovens e homens participaram em Bissau e em uma região chamada Bissorã. Da capital, 150 pessoas compareceram a um debate sobre saúde mental, que é um tabu no país. Para nós, isso foi um marco importante ao ser bem recebido”, afirmou. “Se os homens fazem parte do problema, devem ser parte da solução. Eles precisam ser nossos aliados e usar sua influência para empoderar os outros”, defendeu Sónia. “E as pessoas precisam desmistificar essa ideia. Não estou acusando os homens de serem a causa do problema, mas, para alcançarmos a igualdade de gênero, eles devem participar desta conversa”.

A Feira do Trabalho, realizada anualmente em dezembro durante dois dias, é o principal evento da organização. “Discutimos o estado da educação, empreendedorismo e mercado de trabalho da Guiné-Bissau”, relata ao JE.

No Dia da Mulher, por exemplo, Sónia viajou para Bissau para conduzir dois workshops sobre liderança na diáspora.

Foi em Londres que Sónia Silva iniciou sua carreira no setor bancário, um campo predominantemente masculino, onde ela desenvolveria sua trajetória profissional. Antes de dedicar-se integralmente ao projeto da FWBW, ocupou o cargo de diretora executiva no Standard Chartered Bank, além de ter trabalhado no J.P. Morgan, BNY e RBC.

Em 2022, Sónia Silva foi reconhecida entre os Top 100 Female Leaders by Involve and Yahoo Finance, conforme destacou a Forbes África Lusófona, que a chamou de “uma guineense nas praças financeiras do mundo”. Em novembro, Sónia participará como palestrante da conferência “Opportunities in Africa Summit 2025”, que acontecerá em Nova Iorque.

“Por que não posso fazer isso pela minha comunidade?”

Ciente de sua “posição de destaque”, Sónia explica a necessidade de utilizá-la: “As pessoas me veem como uma executiva de sucesso. Mas e depois? O que mais posso fazer?”. Sua viagem a Guiné-Bissau em 2017 com seu marido e filho despertou esse propósito. “Não via a Guiné-Bissau há 20 anos. Senti-me em casa, mesmo não tendo passado muito tempo lá. Tive uma conexão profunda e um senso de dever em fazer mais”, revelou.

“A diáspora tem um papel fundamental”, argumenta. Ao ser questionada sobre possíveis resistências da comunidade local em relação ao projeto, Sónia menciona a importância de um discurso cuidadoso. “Acredito que minha abordagem facilitou muito, pois sempre dizia: estou aqui para aprender. Não fui lá com a postura de uma Sónia, executiva de banca de investimento”, respondeu.

Cinco anos de For Women by Women

A FWBW celebrou cinco anos de atividades em Bruxelas, em setembro passado, durante a conferência “Mulheres da Lusofonia: vozes da diáspora”.

“É mais do que uma fundação. É uma causa. Continuarei a usar minha voz e influência para fazer as coisas acontecerem. Nós somos privilegiados”, afirmou a fundadora da FWBW.

Dentre as iniciativas mais recentes da organização está a Tech4Her, voltada para o empoderamento feminino por meio da tecnologia, que visa ensinar pelo menos 400 garotas e mulheres nesta área.

Na mesma conversa com o JE, Sónia Silva falou sobre os planos de expansão da FWBW para outros países de língua portuguesa. “Acredito que em no máximo dois anos isso ocorrerá. Estamos em fase de expansão, mas de forma gradual. Nosso objetivo não é ser reconhecidos, mas fazer a diferença com impacto”.

A FWBW, que conta com a ADPP-GB e a ASAD como principais parceiros, tem embaixadoras em vários países, incluindo Inglaterra, Bélgica, que também cobre a França, e uma representante em Moçambique.

Para Sónia Silva, “quando alcançamos uma posição de destaque, temos a obrigação moral de enviar o elevador de volta para que outros possam subir”.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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