Pedrinho Tavares

Pedrinho Tavares


Comecei a estudar música desde a infância, em um ambiente que favoreceu o meu interesse. Meu pai era músico profissional e minha mãe tinha grande interesse pelas artes, o que me fez passar muito tempo assistindo ensaios e produções artísticas, despertando minha paixão pela música.

A escolha do instrumento foi desafiadora, pois sou interessado em diversos tipos. Acabei optando pela percussão, que oferece uma liberdade criativa e uma paleta sonora ilimitada. Minha fascinação pela orquestra também se deve ao fato de que reúne múltiplos instrumentos e pessoas que colaboram através das partituras, criando uma experiência única. A música é, assim, uma forma de arte social que favorece a interação e a descoberta de novas sonoridades, ampliando meu horizonte de entendimento e expressão.

A questão sobre talento e trabalho é intrigante. Existe uma visão cultural que destaca a habilidade inata, mas artisticamente isso não é suficiente. Para se tornar um artista, é preciso ter um compromisso com o trabalho, disciplina e disposição para enfrentar os desafios. A prática diária é essencial, e a resiliência se torna um componente crucial na jornada de um músico.

Minha curiosidade por diferentes aspectos da música me leva a explorar várias facetas, como compor e dirigir. Este interesse me ajuda a entender melhor as nuances de cada processo envolvido, tornando-me um maestro mais consciente do que é tocar um instrumento ou organizar um concerto. A música se torna uma linguagem que permite a comunicação entre pessoas de diversas origens, criando conexões que transcendem barreiras linguísticas.

Fundamos a Orquestra de Câmera Portuguesa em 2007 e a Jovem Orquestra Portuguesa em 2010 para atender à falta de oportunidades para novos maestros e músicos em Portugal. A proposta era criar um ambiente mais colaborativo e democrático, onde todos pudessem expressar suas ideias e talentos. Com o passar dos anos, diversos projetos foram surgindo, como a Orquestra dos Navegadores e Notas de Contacto, destinados a inspirar músicos e artistas a fazer a diferença.

A cativação de novos públicos para a música clássica é um desafio, pois existe a percepção de que o público é envelhecido. Queremos trazer as pessoas para a experiência musical sem simplificá-la, inovando em diversas abordagens. Por exemplo, trabalhar a consciência corporal e promover debates sobre temas relevantes, tornando os concertos mais inclusivos e acessíveis.

A música é uma arte rica e multifacetada, que pode ser tanto um estímulo emocional quanto um elemento contextual em outras formas de arte, como teatro e cinema. Ela tem o poder de transformar percepções e evocar sentimentos através de diferentes contextos, sendo uma experiência passageira e, ao mesmo tempo, imortal.

No gerenciamento de erros em uma orquestra, a presença do maestro é fundamental. Ele atua como um guia auditivo, permitindo que os músicos se expressem coletivamente, superando desafios e aproveitando o risco criativo sem medo de falhar. Um concerto é uma experiência única e irrepetível, semelhante a uma refeição preparada no momento, onde cada apresentação traz seu próprio “twist”.

Ao longo da minha trajetória, recebi diversos prêmios e colaborei com renomadas orquestras internacionais. Contudo, ainda almejo um reconhecimento maior para o trabalho que realizamos na JOP. Seria gratificante ver o apoio estrutural que permitiria concentrar nossos esforços na missão artística, sem a constante preocupação com a angariação de fundos.

Não tenho um compositor favorito, pois a música é vasta e fascinante. Gosto de composições contemporâneas e clássicas, reconhecendo que cada obra expressa sentimentos universais e reflete o contexto histórico de sua época. Como músico, minha missão é interpretar todas essas composições com o mesmo ímpeto.

Em 27 de julho, apresentarei a JOP no CCB ao lado do talentoso violoncelista russo Pavel Gomziakov, com o Concerto para Violoncelo de Shostakovich, seguido da estreia do Bliss (not), do nosso compositor em residência Francisco Lima da Silva, e encerrando com a exuberante 2ª Sinfonia de Brahms. Estamos entusiasmados para proporcionar ao público uma experiência rica e envolvente.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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