Durante um debate televisivo transmitido pela SIC, Luís Marques Mendes anunciou sua intenção de focar seu primeiro Conselho de Estado, caso seja eleito, na reforma da justiça e nos esforços de combate à corrupção.
Distanciando-se de André Ventura, Mendes criticou o presidente do Chega por sua frequência em afirmar que “todos são ladrões”, lembrando-o de que “ele não é polícia, nem magistrado, e também não é candidato a xerife da República, porque essa posição não existe.”
“Todos falam sobre diagnósticos; eu vou dar o pontapé inicial nos esforços para melhorar o sistema de justiça, que está doente, e também fortalecer, reforçar e intensificar a luta contra a corrupção, que é a única área onde concordamos,” afirmou o ex-presidente do PSD.
No entanto, essa proposta não convenceu o candidato de Belém e líder do Chega, que a descartou como “nonsense.”
“Se Luís Marques Mendes pensa que um Conselho de Estado vai resolver o problema da corrupção em Portugal, isso mostra apenas que ele vai fazer exatamente o que todos os outros fizeram: absolutamente nada,” criticou Ventura.
Mendes delineou quatro prioridades para discussão neste potencial Conselho de Estado, uma das quais é o “excessivo corporativismo” no Ministério Público, criticando alguns procuradores por se oporem ao “Manifesto dos 50,” uma iniciativa que reúne políticos e cidadãos de diversas esferas para sensibilizar sobre questões de justiça.
Em resposta, Ventura acusou Mendes de “atacar o sistema de justiça que investiga políticos corruptos” e de se alinhar com a “elite que nunca quer ser investigada.”
Mendes se defendeu afirmando que apoiou a reeleição de Joana Marques Vidal como procuradora-geral—ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa—e destacou que durante seu período como líder do PSD, ele substituiu vários prefeitos “que tinham questões legais.”
“O único exemplo conhecido do seu lado é ter um deputado, Miguel Arruda, que se tornou simultaneamente um caso de comédia e tragédia por roubar bagagens no aeroporto,” comentou Mendes.
Ventura respondeu que o PSD está “encharcado de corrupção do começo ao fim” e criticou Mendes por apoiar e defender Miguel Albuquerque, o presidente do Governo Regional da Madeira, que está sob investigação judicial.
O líder do Chega também tentou associar Marques Mendes ao atual executivo do PSD/CDS-PP, acusando-o de ser “o fantoche de Luís Montenegro” e a “muleta do Governo.”
No início do embate televisivo, Marques Mendes acusou Ventura de agir com uma “total falta de estado,” citando as críticas do líder do Chega aos comentários do Presidente de Angola sobre o colonialismo português em Luanda durante as celebrações do 50º aniversário da independência de Angola e as críticas ao atual chefe de Estado.
Ventura respondeu que seu senso de estado é “defender Portugal até o fim” e argumentou que quando o país é insultado, “merece defesa.”









