O cineasta Manuel Paula Dias faleceu aos 90 anos.

O cineasta Manuel Paula Dias faleceu aos 90 anos.

Manuel Paula Dias, um renomado cineasta de Aveiro, faleceu quando se aproximava de seu 91º aniversário no Dia de Natal. Lembrado como uma figura única na memória cultural de Aveiro, Dias conciliou uma longa carreira na indústria de fundição com uma profunda e duradoura paixão pelo cinema, conforme afirmou o Cine Clube em uma nota à imprensa.

Durante as décadas de 1960 e 1970, Dias dedicou-se a filmar utilizando os estilos de pequeno formato típicos do cinema amador da época. Seu trabalho de câmera documentou a vida na cidade, na região e na foz do rio Aveiro, criando um extenso e valioso arquivo audiovisual que preserva tradições, paisagens e modos de vida que desde então desapareceram.

O Cine Clube de Avanca, sediado em Estarreja, no distrito de Aveiro, destacou que Dias deixa um legado significativo no cinema documental português, com sua memória artística intricadamente entrelaçada na história de Aveiro e seu povo.

Seu trabalho mais conhecido, o documentário “Sal, Duro Sal”, captura vividamente a dureza do trabalho nas salinas de Aveiro. Este filme, entre outros que dirigiu, foi exibido em uma retrospectiva dedicada a ele no 3º Festival Mar de Filmes em 2019, realizado no Museu Marítimo de Ílhavo.

Em 2013, esta obra também foi apresentada na série “Fitas da Ria”, organizada pelo grupo “uariadeaveiro” da Universidade de Aveiro, e exibida no Teatro de Aveiro.

No mesmo ano, o RIOS – 2º Festival Internacional de Documentário e Cinema Transmídia em Vila Real, organizado por Anabela Branco de Oliveira, realizou uma retrospectiva do cinema de Aveiro, exibindo “Sal, Duro Sal” e “Um Olhar Diferente pela Ria de Aveiro”, trazendo uma nova atenção para seu trabalho.

Em 2009, Dias produziu uma refilmagem de “Decomposição”, um filme de ficção experimental originalmente filmado em 1972, que lembra os desafios que o cinema amador e independente enfrentou sob a censura.

Colaborando com Ernesto Barros, Dias também criou “Derrame”, um filme rodado em 1975 e concluído em 1977, que contém imagens únicas do funeral de um soldado morto durante o ataque à sede do Partido Comunista Português em Aveiro, em um período pós-revolução particularmente tenso.

O Cine Clube de Avanca enfatizou que Manuel Paula Dias e Ernesto Barros faziam parte do “Grupo de Aveiro”, um coletivo que influenciou o cinema não profissional português nas décadas de 60 e 70, ao lado de cineastas como Vasco Branco e Manuel Matos Barbosa.

Esse grupo é creditado como responsável por deixar um importante legado cinematográfico intimamente ligado à identidade cultural de Aveiro e sua região, segundo o Cine Clube.

O AVANCA – Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia, um festival onde Dias atuou várias vezes como jurado na competição internacional, homenageou o cineasta em 2014.

Em 2018, ele também foi membro do júri no Festival Internacional de Cinema Paisagens de Sever do Vouga, continuando a ser reconhecido por sua expertise e contribuições.

Nos últimos anos, estava escrevendo um livro sobre a história de sua família e os começos da indústria de fundição em Aveiro, marcada pelo dramático incidente de um acidente aéreo da Base Aérea de São Jacinto em terras pertencentes a seu pai, mencionou o Cine Clube de Avanca ao expressar seu pesar por seu falecimento.

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