Os ensaios já duram há um mês e meio e Madalena Almeida tem estado mais afastada da vida cultural da cidade. A 14 de junho, estreia, com a sua companhia Urso Pardo, Killer Joe, tradução e encenação de Miguel Graça de um texto do americano Tracy Letts. No palco do Teatro São Luiz, a seu lado, estarão David Esteves, Dinarte Branco, Inês Pereira e Pedro Caeiro, a interpretar a história de uma família disfuncional que vive numa autocaravana no Texas e contrata um assassino profissional, na esperança de resolver todos os seus problemas.
“A peça é brutal, um texto muito duro. É sobre um lugar de grande pobreza, onde muitas pessoas têm pouco acesso à educação e ainda menos à cultura. E nesse ambiente acaba por vir à tona a necessidade de sobrevivência”, descreve a atriz, que será Dottie, “a filha mais nova, a mais inocente e que parece a menos estragada por este sistema, também uma das mais sacrificadas, mas que, ao contrário do que todos pensam, sabe desde o início o que se está a passar e também ela vai tentar fazer o melhor negócio para si”.
Diz Madalena: “O mais curioso é que todas as personagens estão a tentar fazer o melhor que podem, sendo todas absolutamente horríveis. São o resultado de uma sociedade que não as soube apoiar e que não as ajuda em nada; são uma consequência disso. O interessante é perceber que as pessoas, levadas ao seu extremo, fazem coisas horríveis, sempre achando que vão ter um futuro melhor, mesmo que isso implique destruir os outros”.
Killer Joe fica em cena no São Luiz até 22 de junho. Depois disso, Madalena Almeida estará a filmar a próxima longa-metragem de João Canijo, que talvez se desdobre também numa peça de teatro. “Estou muito entusiasmada, até porque é um filme sobre a encenação de um espetáculo, sobre as relações tóxicas que existem dentro das companhias e a crise de um encenador que sente que está a envelhecer”, revela a atriz.
Manhattan
4 junho, 20h
Perfect Days
5 junho, 20h
Doca da Marinha
“Descobri há pouco tempo o projeto Cine Society, de cinema ao ar livre, que acontece nas Docas da Marinha ou nas Ruínas do Carmo, fui ver o Asteroid City [de Wes Anderson] e adorei”, conta Madalena Almeida. Esta semana, serão dois os filmes projetados: Manhattan, de Woody Allen, e Perfect Days, de Wim Wenders, duas longas que a atriz aconselha, mesmo a quem já as tenha visto. “É um programa realmente bom para se fazer, quando está bom tempo. Mas se estiver frio, têm mantinhas. Há pipocas, vinho e outras bebidas, as pessoas podem pôr-se à vontade.” Até meados de outubro, muitos filmes passarão por ali, por isso, a sugestão prolonga-se durante o verão. “A programação junta clássicos e filmes mais recentes, acho que valerá sempre a pena ir, mas diria que é mais giro ver clássicos ao ar livre.”
À Primeira Vista
2 e 4 junho, e até 26 julho
Teatro Maria Matos
Madalena Almeida não poupa adjetivos quando fala da adaptação da peça de Suzie Miller, em cena no Teatro Maria Matos: “O texto é muito forte, a Margarida Vila-Nova está incrível – é uma atriz brilhante, mas aqui faz um trabalho realmente impressionante – e a encenação do Tiago Guedes é maravilhosa”. À Primeira Vista, estreado no ano passado, regressou agora para mais sessões até ao final de julho. “Vão ser poucas récitas semanais, mas penso que, mesmo quando está esgotado, vale a pena ir lá e tentar a sorte, porque há sempre uns bilhetes disponíveis à última hora”, aconselha. “É uma peça do ponto de vista de uma advogada, que se vê encurralada numa situação e se vê no lugar das vítimas que defende ou das vítimas dos agressores que muitas vezes defende. É um conflito enorme e acredito que, nos tempos que correm, se revela mesmo um espetáculo pertinente.”
Jeff Wall – Time Stands Still. Photographs, 1980–2023
Até 1 setembro, quarta a segunda-feira, das 10h às 19h
MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia
É uma das prioridades na sua agenda, esta exposição que ainda não teve tempo de ir ver ao MAAT. “Gosto muito de fotografia e penso que o Jeff Wall se tornou num dos fotógrafos mais importantes da fotografia contemporânea”, diz Madalena. “Conseguiu encontrar um lugar muito próximo do cinema, mas também da pintura. Diz muitas vezes nas entrevistas que demorou bastante tempo até descobrir o lugar em que a sua fotografia se situava, porque, não pretendendo ser pintura, vai lá buscar muitas coisas, e não pretendendo ser cinema, acaba por derivar daí. Gosto muito do ambiente do quotidiano nas fotografias dele. Ainda não consegui ver, mas quero muito.”









