Questionado sobre se as negociações parlamentares para a nova versão da lei dos estrangeiros deveriam inclinar-se mais para a esquerda ou para a direita, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que “não é o Presidente quem decidirá isso”, ressaltando que sua prioridade é garantir o respeito pela decisão do Tribunal Constitucional.
<p“A preocupação primordial deve ser atender aos requisitos do Tribunal Constitucional. O Tribunal destacou uma meia dúzia de pontos, cinco no total, e assim, nesses cinco pontos, o que importa é que as soluções encontradas correspondam ao que o Tribunal Constitucional especificou”, declarou ele a jornalistas no segundo dia da oitava Feira do Livro no Palácio de Belém.
O Presidente enfatizou que além de qual partido concordar com os termos, “o que importa é que até o dia 30, a Assembleia da República preste uma resposta favorável ao Tribunal Constitucional” para que o projeto de lei possa ser revisto em Belém.
“Relativamente ao projeto de lei, que foi vetado porque o Tribunal Constitucional o considerou inconstitucional, é benéfico ter uma resposta rápida. Uma resposta consensual é boa, mas o mais importante é que a resposta aborde as questões jurídicas apresentadas pelo Tribunal Constitucional”, acrescentou.
Nesta quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa já havia expressado que provavelmente promulgaria a nova versão da lei dos estrangeiros apresentada pelo Governo, se aprovada pelo parlamento, esperando que atenda à Constituição.
Chega, um dos partidos necessários para formar maiorias parlamentares, afirmou que não aprovará a versão do Governo introduzida esta semana. Um grupo com membros do partido de André Ventura e do Partido Social Democrata (PSD) foi formado para negociar mudanças ao projeto de lei para uma possível aprovação na próxima semana.
O semanal Expresso reporta hoje que o Partido Socialista (PS) pode possibilitar a aprovação do projeto de lei.
A Assembleia da República revisará na terça-feira, em plenário, as fases de votação geral, especializada e final sobre as novas propostas de alteração à lei dos estrangeiros, após sua rejeição pelo Tribunal Constitucional.
A nova proposta de alteração à lei dos estrangeiros, anunciada na quarta-feira pelo Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, inclui várias mudanças para alinhá-la com a Constituição da República, mantendo a exigência de dois anos de residência válida para pedidos de reagrupamento familiar, ao mesmo tempo em que permite várias exceções, incluindo para cônjuges.
No dia 8 de agosto, o Tribunal Constitucional considerou cinco disposições do decreto do parlamento inconstitucionais, que visavam, segundo a proposta do Governo, emendar a chamada Lei dos Estrangeiros, principalmente no que diz respeito ao reagrupamento familiar, incluindo a imposição de “um prazo cego de dois anos” para o pedido.
Este decreto havia sido aprovado no dia 16 de julho na Assembleia da República, com votos favoráveis do PSD, Chega e CDS-PP, abstenções da Iniciativa Liberal (IL), e votos contrários do PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP.









