Natural do Porto, o artista visual e designer gráfico Miguel Januário é o criador do projeto de intervenção ±MaisMenos±, uma plataforma artística que, desde 2005, propõe uma reflexão crítica sobre os sistemas políticos, sociais e econômicos contemporâneos. Nascido como tese acadêmica, o projeto evoluiu ao longo de duas décadas para um corpo de trabalho multidisciplinar que explora as contradições e dualidades das sociedades urbanas através de diferentes linguagens artísticas.
Vídeo, escultura, pintura, instalação e performance fazem parte do universo criativo ±MaisMenos±, marcado por intervenções provocadoras em espaços públicos e privados. Inspirado pelas tensões inerentes às estruturas ideológicas ocidentais, o projeto procura desconstruir os mecanismos da vida urbana contemporânea, questionando conceitos de poder, consumo, identidade e memória coletiva. Ao longo dos anos, participou em numerosas exposições individuais e coletivas, bem como em intervenções públicas ilegais, estando representado em várias coleções privadas.
Em maio, Miguel Januário ocupou durante uma semana a Galeria Underdogs, numa residência artística onde desenvolveu uma sequência de 80 desenhos sobre papel preto. “A partir da ideia ‘the shadow of what we were, but as long as there is light we will exist’, trabalhei a palavra como repetição e movimento, construindo uma animação em loop, onde cada desenho funciona como uma pequena variação do mesmo interminável pensamento”, explica o artista. E acrescenta: “No contexto do ±, esta frase tornou-se uma espécie de declaração de persistência sobre esta fase do projeto: maturam-se duas décadas de trabalho.”
Anne Waldman e O peso do mundo é amor
Na Casa Fernando Pessoa a 19 de maio, às 18h
“Uma sessão de leituras, conversa e música com Anne Waldman, poeta e ativista ligada ao legado da Beat Generation. Interessa-me pela ligação entre poesia e ativismo e pela forma como a palavra continua a ser um lugar de resistência e imaginação, particularidades que transporto para o meu trabalho.”
Transport: Tipping Point
Em cena no Teatro São Luiz, 20 e 21 de maio, às 19h e 21h30
“Um espetáculo de teatro documental sobre desastre ambiental, responsabilidade empresarial e dependência dos combustíveis fósseis. Parece-me uma escolha pertinente porque coloca a crise ecológica no centro de uma questão política muito concreta: quem responde pelas consequências do modelo em que vivemos?”
Conselho de Estado
Conversa na Casa Capitão, a 22 de maio, às 18h
“Uma conversa que interessa pela forma como cruza cultura e democracia, dando voz a artistas e comunidades que muitas vezes ficam fora dos lugares habituais de decisão. A ideia de inverter quem fala, e a partir de onde se fala, parece-me especialmente importante neste momento em que vivemos. Parte da recente inauguração da coleção do conselho de estado, onde se inclui uma obra da minha autoria, com a participação da curadora da exposição, Carla Cardoso, e alguns dos artistas representados.”
Paredes da Inquietação – Arte e Revolução
Exposição patente nos Coruchéus – Um Teatro em Cada Bairro, até 23 de maio
“Uma exposição sobre o muralismo do PREC e a força gráfica da intervenção política no espaço público. Olha para as paredes como lugar de conflito e liberdade, mostrando como a imagem também pode ser uma forma de transformação e participação democrática.”
33/76, Duas Folhas Um País
Exposição patente na BOTA, até 31 de agosto
“Uma exposição dedicada aos 50 anos da Constituição de Abril, construída a partir do contraste entre a Constituição de 1933 e a promessa democrática de 1976, com a participação de dezenas de artistas, incluindo a minha. Recomendo-a porque nos recorda a viragem e a ruptura histórica com o passado, e que, ainda assim, a Constituição atual é uma conquista em disputa e por cumprir.”





