Explica a dramaturgista Vera San Payo de Lemos que a ideia de adaptar o “romance coral” de Lídia Jorge, Os Memoráveis, surgiu do desafio lançado a vários grupos de teatro pela Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril, que solicitou projetos evocativos da efeméride. “Como vivemos aqueles tempos, e quase de imediato os associamos à música, lembrámo-nos de propor uma ópera, mas queríamos fazer algo totalmente novo”, recorda.
Durante mais de um ano, João Lourenço e San Payo de Lemos transformaram em libreto “aquelas mais de 300 páginas” onde a romancista “revisita protagonistas e mitos da Revolução de Abril”, dando voz a um grupo de memóriais que uma geração mais nova irá redescobrir, numa história que se passa 30 anos após o dia em que a ditadura caiu. “Aquelas muitas vozes que no romance contam aquele dia têm muito de operático”, explica o encenador, lembrando como a grande riqueza do livro de Lídia Jorge é oferecer, através de múltiplos protagonistas da Revolução, “uma visão da história dada por várias perspetivas”.
Em palco, entre um extenso elenco de solistas, estará Cátia Moreso, no papel de Ana Maria Machado, uma jovem jornalista que parte no encalço desses homens que, “por todos nós”, protagonizaram acontecimentos que viriam a determinar muito daquilo que somos. Para além da mezzo-soprano, destaca-se o barítono José Fardilha, que volta a trabalhar com João Lourenço, quatro décadas após a estreia do encenador na ópera com a histórica, e então controversa, produção no Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) de Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny, de Bertolt Brecht e Kurt Weil.
No ano em que se assinalam os 50 anos do Teatro Aberto – “o primeiro teatro inaugurado em Lisboa após o 25 de Abril”, ainda “do outro lado da Praça de Espanha”, como lembra Lourenço – esta grande produção conjunta entre o Teatro Aberto e o TNSC conta com música original de Eurico Carrapatoso. A direção do Coro do São Carlos e da Orquestra Sinfónica Portuguesa está a cargo do maestro João Paulo Santos.







