Amoreiras: um bairro no coração urbano há quatro décadas

Amoreiras: um bairro no coração urbano há quatro décadas

Uma cidade dentro da cidade. Comemorando 40 anos de existência, o centro comercial das Amoreiras, que foi premiado com o Prémio Valmor em 1993, tem mais de 330 lojas e dois parques com capacidade para 1200 viaturas. Conhecido carinhosamente como “o Amoreiras” entre os lisboetas, o centro esteve sempre à altura das expectativas, mesmo em momentos difíceis, como quando o rival Colombo surgiu.

“Quilómetro e meio para andar e ver montras nas Amoreiras”, destacava o Diário de Notícias em 28 de setembro de 1985, dia da sua abertura ao público. A inauguração, marcada pelo então presidente da República, Ramalho Eanes, que chamou a obra de ousada e exemplar, e pelo controverso presidente da câmara, Kruz Abecasis, que se referiu aos críticos como “velhos do Restelo”, gerou polêmica, especialmente pela audácia da sua arquitetura.

Um verdadeiro marco arquitetônico e comercial. Localizado no topo da avenida Joaquim António de Aguiar e erguido entre 1980 e 1987, no local de uma antiga estação de manobras de elétricos e autocarros, este imponente complexo pós-modernista, que inclui três torres de escritórios, um edifício residencial e um vasto espaço comercial, transformou a paisagem urbana e rapidamente se tornou parte do cotidiano dos lisboetas.

Pessoalmente, sempre me atraí pelo estilo neobarroco e vanguardista do projeto, assim como pela exuberância kitsch de seu arquiteto, Tomás Taveira. Na época, estávamos prestes a entrar na Comunidade Económica Europeia e todos nós, como cantam os GNR, estávamos ansiosos por “ver Portugal na CEE”.