A seriedade do alojamento é tamanha que apenas a CML não consegue solucionar.

"A seriedade do alojamento é tamanha que apenas a CML não consegue solucionar".

Sair da casa dos pais e permanecer em Lisboa é uma utopia? Este foi o tema central da conversa com João Ferreira, candidato da CDU à Câmara Municipal de Lisboa nas próximas eleições autárquicas, iniciado por duas jovens, Raquel Sanches, de 18 anos, e Mariana Riscado, de 20.

Ambas foram convidadas a participar de um momento distinto na campanha autárquica: questionar o candidato, oferecendo perspectivas e perguntas diferentes das que normalmente são feitas por adultos, em uma conversa realizada na A Brasileira do Chiado, moderada por Catarina Carvalho, diretora da Mensagem de Lisboa.

Elas representam uma voz raramente ouvida nas mesas de negociação e fizeram parte de projetos da Mensagem: Raquel, oriunda de Chelas, contribuiu em um projeto de literacia mediática em colaboração com a associação Mundu Nôbu (fundada por Dino D’Santiago) e com o financiamento da Visapress, que será anunciado em breve; enquanto Mariana é estudante de jornalismo na FCSH – Universidade Nova de Lisboa e foi estagiária da Mensagem.

Para abordar a pergunta, João Ferreira comenta sobre a “tempestade perfeita que se formou em Lisboa” como resultado de políticas nacionais e locais. Ele discute a carência de habitação pública em Portugal em comparação com outros países europeus, os incentivos à especulação imobiliária (como os vistos gold), a demanda internacional que impulsionou os preços e um PDM (Plano Diretor Municipal) “liberal” que facilitou a construção de hotéis e o aumento do alojamento local sem restrições.

O resultado? Uma Lisboa mais “polarizada”, dividida entre famílias vivendo em situações insalubres e os mais abastados do país, além da “expulsão” da chamada classe média da cidade – fenômeno que resulta em uma “pendularidade massiva” (com cerca de 400 mil carros entrando e saindo da cidade diariamente).

“A gravidade do problema habitacional é tal que não está apenas nas mãos da Câmara Municipal de Lisboa resolver essa situação”, afirma João Ferreira, mas acrescenta que Lisboa pode contribuir. Como?

Ouça a entrevista na íntegra, aqui: