O nome incomum surgiu aos 16 anos. “Meus amigos e eu estamos sempre trocando nomes. Já fui Nêspera, Inês Esquecível e, em um momento, até Inóspita (Inês + Pita). Gosto da ideia de ser algo extremamente desagradável, e por isso esse nome ficou”, conta Inês. Sua paixão pela guitarra se desenvolveu de maneira natural: “Meu padrasto toca guitarra e me deu uma quando eu tinha nove anos. Ele me ensinou o acorde ré, depois uma música, e a partir daí comecei a ter aulas.”
Ela estudou na Academia de Guitarra e na escola de Jazz Luiz Villas-Boas do Hot Clube de Portugal. Em 2022, lançou seu primeiro LP, Porto Santo, e em 2024, seu segundo disco, E nós, Inóspita?, que apresentou no Lux em janeiro passado. Além de se dedicar à sua carreira solo, Inóspita também toca com João Borsch, Anarchicks e Rita Cortezão.
No dia 26 deste mês, Inóspita se apresentará no Festival Emergente. “Até agora, tenho tocado uma música chamada Inós, uma brincadeira entre o início da palavra Inóspita e ‘e nós’. Tenho convidado vários amigos para tocarem comigo e neste show não será diferente, sendo que será a primeira vez que tocará com o baterista Pedro Antunes, que gravou a bateria no álbum.” O convite está feito: “É uma ótima oportunidade para vocês saírem de seus compromissos familiares e apoiarem a música emergente”, apela.
A primeira sugestão de Inóspita é o concerto de The Legendary Tigerman, Fuck Christmas I Got the Blues, “um clássico lisboeta de anti-Natal.” O evento faz parte da tradição na Galeria Zé dos Bois – todos os anos, na noite de Natal, o Rock n’ Roll do homem-tigre aquece o coração dos solitários. Nesta nova edição, Ray se junta ao evento, trazendo o novo álbum, Buffalo, produzido por Tigerman. O disco aborda temas como a morte, amor, vida cotidiana e a constante reinvenção e transformação humana, além da eterna angústia existencial em meio ao caos do mundo.
Ainda na linha da música nacional, Inóspita recomenda o concerto de Maria Reis, cofundadora do coletivo e editora Cafetra. A artista começou sua carreira no grupo Pega Monstro, que manteve com a irmã, Júlia Reis. Desde 2017, Maria Reis se dedica à carreira solo e se apresentará logo após o Natal, junto com os Vaiapraia, projeto de Rodrigo Vaiapraia, e o Duo Vilar Seco, formado por Júlia Reis e Pedro Marques.
“Queria muito aconselhar as pessoas a verem BBB Hairdryer, que se descrevem como satanic trans guitar shit. Eles são uma banda muito fofa, mas a música deles não [risos]”. Os BBB Hairdryer são um quarteto formado por Elisabete Guerra (voz e guitarra), Francisco Couto (baixo), Miguel Gomes (bateria) e Chica (guitarra). Recentemente, lançaram um novo disco, A Single Mother/ A Single Woman/ An Only Child, que Inóspita recomenda: “Além de assistir à apresentação deles no Festival Emergente, que é sempre incrível, sugiro que ouçam o álbum.”
Uma das leituras sugeridas por Inóspita é o livro Girls to the Front, de Sara Marcus, que aborda o movimento feminista underground Riot Grrrl, que surgiu nos Estados Unidos no início dos anos 90. “Ainda estou finalizando, mas recomendo muito”, diz. Bandas como Bikini Kill, Bratmobile e Huggy Bear são algumas das primeiras associadas a esse movimento que, mesmo sendo uma subcultura, aborda questões de gênero.
Outra de suas recomendações é o livro de poesia Os Elefantes São Contagiosos, do poeta costarriquenho José María Zonta. “Terminei de ler agora e tem visões muito legais da vida, com certa esperança.” Zonta é uma das vozes mais reconhecidas da literatura contemporânea da América Central e sua obra aborda temas como amor e identidade.
Por fim, Inóspita sugere o álbum Different Therefore Equal (1979) da artista folclórica Peggy Seeger. “Essa é minha última sugestão, que se encaixa nesse espírito natalino que adoro. O disco começa com a música What Do You Do All Day, que questiona o que as mulheres fazem em casa. Faz muito sentido dedicar esse álbum a todas as mulheres que estarão trabalhando na cozinha esta semana, apenas para depois agradecerem a Deus e elogiarem o menino Joãozinho, que colocou o prato na máquina após um dia inteiro de trabalho da mãe.”








