Gostamos de participar em eleições, de ir às urnas e de escolher quem nos representa e governa. Embora a abstenção continue a ser o maior partido, nos últimos anos temos tido uma série de 10 atos eleitorais nacionais, incluindo legislativas, autárquicas e presidenciais, sendo que agora estamos a escolher o próximo Chefe de Estado. Em média, isso representa mais de uma eleição por ano. De forma acumulada, são quase seis meses de campanhas eleitorais. Para os Açores e a Madeira, a situação é ainda mais intensa, com cinco eleições a cada dois anos, incluindo as regionais. É uma tarefa considerável.
Cada uma dessas eleições corresponde a uma operação complexa, onde diversas peças devem se encaixar corretamente para que o resultado reflita a vontade dos eleitores. A tecnologia tem facilitado a materialização desse direito, mas isso não acontece para todos. Insistimos em tratar alguns eleitores como de segunda classe, como os emigrantes, que votam longe de casa ou que tentam manter essa ligação, pois para participar é necessário um desejo genuíno.
No caso das eleições presidenciais, a lei exige o voto presencial, uma proposta bastante questionável para uma diáspora como a portuguesa. Nas legislativas, a alta proporção de votos nulos, que ultrapassou os 40% nas últimas eleições, evidencia que o sistema baseado em correios é inadequado. Já ocorreram repetições eleitorais devido a isso. Não é uma novidade, todos já estamos cientes. Contudo, só nos debruçamos sobre o problema quando se aproximam as eleições, sempre com a promessa de encontrar uma solução a tempo para os próximos atos eleitorais. Mas essa promessa nunca é cumprida. E agora estamos novamente nessa situação.









