Imported Article – 2026-01-15 18:30:13

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Idealizada em 2022 e realizada ao longo de três anos e meio, a exposição Complexo Brasil, que está aberta ao público em Lisboa desde novembro até 17 de fevereiro, tem alcançado sua principal meta: estabelecer um diálogo entre Portugal e Brasil, frequentemente interrompido por mal-entendidos e períodos desconfortáveis de “silêncios” entre esses povos irmãos.

A avaliação é de Miguel Magalhães, que desempenha um papel fundamental ao incentivar os curadores Miguel Wisnik, Guilherme Wisnik e Milena Brito a reintroduzirem o Brasil — e os brasileiros — aos portugueses, na sua posição de diretor do gabinete do presidente e do programa Gulbenkian Cultura da Fundação Calouste Gulbenkian.

Como surgiu a ideia do convite para a exposição Complexo Brasil?

A proposta para a exposição Complexo Brasil começou a ser deliberada há três anos e meio, em 2022, baseando-se na percepção de que seria interessante apresentar o Brasil aos portugueses. Portanto, surgiu desta consciência de que a retórica de irmandade entre os povos estava apoiada em um desconhecimento mútuo, equívocos e silêncios; convidamos três curadores que poderiam ajudar a refletir sobre isso.

Há alguma característica na exposição que a torna especial?

Na minha opinião, uma das características que torna essa exposição única é que a própria montagem é uma obra de arte. O espaço, criado pela arquiteta e cenógrafa Daniela Thomas, abrange dois mil metros quadrados em dois andares de exposição e consegue articular de forma fluída diversas obras, vídeos e evidências, alinhando-se a uma proposta curatorial ambiciosa que abrange diferentes épocas, movimentos artísticos e realidades geográficas, distinguindo a Complexo Brasil de outras exposições.

“Complexo Brasil é uma exposição que dialoga com as diferentes comunidades, com os diferentes grupos, seja no Brasil, seja em Portugal. Também era importante que não fosse uma exposição ativista, que não fosse ideológica”

Quais foram os grandes desafios?

Os desafios da produção e montagem de uma exposição como a Complexo Brasil são diversos. Eu categorizaría esses desafios em três grupos principais: o primeiro está relacionado ao tempo — ou melhor, à falta dele — já que começamos a montar a exposição em 2022 e, embora muita coisa tenha sido realizada, três anos e meio é um período curto para uma exposição com tal ambição. O segundo desafio é logístico e operacional, considerando quase dois mil metros quadrados de área expositiva, a participação de muitos artistas, cerca de 200 obras e cinco vídeos longos originais criados especialmente para esta exposição, o que torna a Complexo Brasil complexa em termos operacionais. O terceiro desafio é conceitual, pois a exposição deveria dialogar com as diferentes comunidades e grupos, tanto no Brasil quanto em Portugal. Também era crucial que não fosse uma exposição ativista ou ideológica, e apesar de não ser composta unicamente por obras de arte, a Complexo Brasil utiliza a arte para estruturar uma proposta conceitual e curatorial de alta excelência.

Qual a importância de abrigar uma exposição sobre o Brasil num momento em que a presença da comunidade brasileira tem aumentado em Portugal?

Quando essa exposição começou a ser planejada e discutida, tínhamos plena consciência de que um número significativo de brasileiros desejava viver em Portugal. Portanto, essa realidade foi considerada nas primeiras discussões, especialmente com a equipe curatorial, e nutrimos a esperança de que esta exposição contribua para um diálogo mais construtivo entre Brasil e Portugal, entre brasileiros e portugueses.

Como tem sido a resposta do público português e brasileiro?

Embora ainda faltem cerca de um mês para o término da exposição, a reação do público que visita a Complexo Brasil tem sido predominantemente positiva. Não é possível quantificar a proporção entre o público brasileiro e o português, mas já conseguimos observar uma presença significativa de brasileiros, sejam turistas ou residentes em Portugal.

A exposição cumpriu as expectativas da Gulbenkian?

Apesar de ainda restarem algumas semanas até o fim da exposição, acredito que as expectativas que depositamos no Complexo Brasil estão sendo atendidas. Essas expectativas incluem tanto a quantidade quanto a diversidade do público, abrangendo tanto os locais quanto os brasileiros que estão passando por Lisboa ou residindo aqui. Além disso, também se referem ao projeto artístico em si, que reflete o que pensamos em termos de apresentação e objetivos durante as primeiras discussões, assim como a abertura para um debate público sobre os temas da exposição, o que está realmente ocorrendo e nos traz satisfação com os resultados.

Artigo publicado ao abrigo de uma parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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