O índice de preços ao consumidor de outubro não será divulgado, e o índice de gastos pessoais de consumo, que é a medida de referência do Fed para avaliar a pressão nos preços, teve sua divulgação adiada indefinidamente.
FILE PHOTO: O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, realiza uma coletiva de imprensa após anunciar que o Fed aumentou as taxas de juros em três quartos de ponto percentual como parte de seus esforços contínuos para combater a inflação, após a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto sobre política de taxas de juros em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2022.
A divulgação dos dados de inflação nos EUA em outubro foi anunciada na sexta-feira pelo gabinete de estatísticas laborais do país, resultado da paralisação do governo federal que terminou em 13 de novembro. Em virtude da proximidade da reunião da Reserva Federal e da imprevisibilidade dos preços nas leituras deste ano, o banco central se vê sem um indicador crucial para a tomada de decisões de política monetária.
Os dados do índice de preços ao consumidor (IPC) de novembro estavam programados para serem divulgados em 7 de novembro, mas a paralisação do governo federal, a mais longa da história do país, impossibilitou a coleta de dados. O Gabinete de Estatísticas do Trabalho, responsável por este indicador, informou que a coleta retroativa não seria viável, resultando no cancelamento da divulgação.
Além disso, os dados referentes a novembro, que deveriam ser conhecidos em 10 de dezembro, foram adiados para 18 de dezembro.
O Gabinete de Análise Econômica do Departamento do Comércio também anunciou que a divulgação do índice de gastos pessoais de consumo (PCE) foi adiada, embora a nova data de publicação ainda não seja conhecida. Vale lembrar que o PCE é o indicador referência para o Fed ao avaliar a pressão nos preços da economia norte-americana, e os dados de outubro deveriam ser publicados na quarta-feira, dia 26.
As informações de setembro não foram divulgadas.
A Fed decidiu reduzir a taxa de juros de referência em 25 pontos base (pb) na reunião de outubro, ressaltando que manteria sua abordagem dependente dos dados que fossem divulgados e rejeitando pressões políticas para acelerar o processo de normalização monetária. No entanto, o presidente do banco central, Jerome Powell, reconheceu a dificuldade imposta pelo “nevoeiro” criado pela paralisação.
Apesar disso, o mercado está fortemente inclinado para uma redução na última reunião do ano. A ferramenta de monitoramento das taxas implícitas de mercado, a FedWatch Tool, indica uma probabilidade estimada de 78,9% para a redução de 25 pb em dezembro, um aumento considerável em relação a uma semana atrás, quando a expectativa era de apenas 42,4% de chance de corte.
“Quando a paralisação terminar e os dados macroeconômicos estiverem disponíveis, projetamos que isso suporte um corte de taxas em dezembro”, afirmam os analistas da Aberdeen, lembrando os efeitos negativos que a paralisação deverá ter causado no mercado de trabalho.









