“N</span}ão podemos permitir que o silêncio ou o medo dictem o futuro da Guiné-Bissau. Cada cidadão deve ser um ator nesse processo, vigilante e comprometido com a mudança,” diz uma carta aberta ao povo guineense escrita pelo movimento político Firkidja di Pubis, composto por ativistas, estudantes e trabalhadores comprometidos com as liberdades democráticas na Guiné-Bissau.
Para os signatários da carta, o país merece “uma nova direção, merece estabilidade, respeito institucional, paz e progresso. Merece sonhar novamente com a liberdade e um futuro de justiça.”
“A ditadura não oferece nada ao povo; serve apenas aos interesses de quem a mantém,” continuam os autores, observando que, durante os últimos seis anos do regime liderado por Umaro Sissoco Embaló, “o povo guineense foi forçado a viver em um clima permanente de medo.”
“A instrumentalização das instituições judiciais para perseguir opositores, sequestros, agressões e intimidações tornaram-se rotina. Cidadãos que ousaram denunciar abusos foram violentamente reprimidos. Assistimos a ataques armados às sedes de partidos políticos, veículos de mídia e residências de líderes políticos e comentaristas que não se alinhavam à narrativa do poder,” afirma a carta.
O movimento Firkidja di Pubis acredita que a Constituição guineense “tem sido continuamente violada.”
“O país testemunhou a degradação acelerada das instituições estatais. A Presidência da República começou a agir como o único corpo soberano, pisoteando todas as outras instituições do Estado por meio de ações arbitrárias e violentas. O Parlamento foi dissolvido sem fundamentos legais; ministros e magistrados foram afrontados; decisões judiciais foram manipuladas; e a separação de poderes, a essência dos atuais Estados Democráticos de Direito, foi destruída,” argumentam.
Sobre as eleições gerais de domingo, os signatários da carta aberta lembram que foram organizadas “por um regime que demonstrou medo de seus opositores políticos, a ponto de excluir injustamente alguns do processo eleitoral, o que compromete a justiça do processo, além de ser conduzido em um contexto onde as principais instituições para organizar e supervisionar as eleições, nomeadamente o Governo, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e a Comissão Nacional de Eleições (CNE), estão a serviço da ditadura ‘sissoquista’.”
O Supremo Tribunal de Justiça rejeitou a candidatura da pessoa apontada como principal oponente, Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e da coligação que ele liderava, a PAI-Terra Ranka – que venceu as eleições legislativas de 2023 e foi destituída do poder com a dissolução do parlamento no mesmo ano.
Apesar disso, o Firkidja di Pubis chama à votação, acreditando que pode “pôr fim ao ciclo de medo, instabilidade e violência.”
Para as eleições de domingo na Guiné-Bissau, 966.152 eleitores estão registrados para escolher o Presidente da República e a composição da Assembleia Nacional.
A corrida presidencial da Guiné-Bissau inclui um total de 12 candidatos, sendo notável o atual Presidente, Umaro Sissoco Embaló, que concorre à reeleição.
Há 14 candidatos e uma única coligação, a Plataforma Republicana “Nô kumpu Guiné,” que apoia o segundo mandato de Embaló nas eleições legislativas.









