O diretor da Polícia Judiciária confirmou hoje buscas na companhia aérea portuguesa TAP, no âmbito de uma investigação liderada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), com vários meios de comunicação a sugerirem alegados crimes durante a privatização da companhia em 2015.
O Grupo Barraqueiro, de Humberto Pedrosa, também confirmou buscas nas instalações das empresas do grupo em Lisboa, expressando “confiança e tranquilidade” em relação ao seu papel no processo de privatização.
A TAP recusou comentar os processos legais, mas enfatizou que “coopera sempre com as autoridades em todas e quaisquer investigações.”
O Ministério Público confirmou em setembro do ano passado que recebeu o relatório da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) sobre a privatização da TAP em 2015 e encaminhou o documento ao DCIAP.
A investigação foi aberta em fevereiro de 2023, após a submissão por Fernando Medina e Pedro Nuno Santos, então ministros das Finanças e Infraestruturas e Habitação (PS), respetivamente.
Em meados de outubro de 2022, Pedro Nuno Santos revelou que a gestão da TAP havia solicitado uma auditoria devido a suspeitas de que estava a pagar mais por aviões do que os concorrentes, e o governo enviou as conclusões ao Ministério Público.
Um dos tópicos mais debatidos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Supervisão Política da Gestão da TAP em 2023 foram os chamados fundos Airbus, um negócio conduzido pela empresa DGN, liderada por David Neeleman, que envolveu o cancelamento de um contrato de leasing anterior para 12 aviões A350 e a celebração de um novo contrato para a aquisição de 53 aeronaves de outra gama.
Nesta transação, a Airbus ofereceu créditos de capital à DGN totalizando 226.75 milhões de dólares (195.5 milhões de euros ao câmbio atual), a serem canalizados para a TAP através da Atlantic Gateway.
Ao longo das audições da CPI, vários deputados questionaram testemunhas sobre o seu conhecimento da operação, considerando que a capitalização da TAP em 2015 foi feita com os próprios fundos da empresa.
O consórcio Atlantic Gateway, composto pelos acionistas David Neeleman e o empresário português Humberto Pedrosa, venceu a privatização da TAP no final do governo PSD/CDS-PP, uma operação parcialmente revertida em 2015 pela administração de António Costa (PS).
Nessa época, a supervisão política da TAP estava a cargo do atual Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, que era então Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações.
[Notícia atualizada às 13:30]









