A ex-ministra da Saúde, Ana Jorge, expressou na terça-feira suas dúvidas sobre a sustentabilidade de Ana Paula Martins como ministra da Saúde, indicando que Martins parece “muito cansada e desgastada” do ponto de vista pessoal.
“Tenho algumas dúvidas sobre se esta ministra pode permanecer em sua posição por muito mais tempo, por várias razões. Do ponto de vista pessoal, é evidente que a ministra está muito cansada e desgastada. Ela está em um setor muito complexo onde todas as áreas estão insatisfeitas—desde os usuários até os profissionais—e não está muito claro qual direção o Primeiro-Ministro quer para a Saúde,” afirmou Ana Jorge à CNN Portugal.
Ana Jorge detalhou que, dada a pressão, “parece haver um desejo do Primeiro-Ministro para que a Ministra Ana Paula Martins permaneça, pois, segundo ele, alguns decretos estão atualmente pendentes de aprovação.”
A ex-ministra também observou a dificuldade de envolver todas as partes necessárias dentro do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nas condições atuais, afirmando que isso está particularmente em risco.
“Envolve profissionais de saúde e os próprios usuários, com a confiança deles no sistema e no serviço, o que provavelmente requer uma renovação mais robusta. Neste momento, muitas vezes, o esgotamento não permite um novo ímpeto,” comentou.
No entanto, a ex-ministra destacou que simplesmente mudar a liderança não resolve os problemas no setor da saúde, enfatizando a necessidade de um plano.
“Mudar apenas a ministra não resolve os problemas do ministério ou da saúde do país. É necessário um plano; entender o caminho é essencial. A questão primária atualmente são os serviços de urgência, mas resolvê-los não soluciona os problemas da Saúde. É preciso enfatizar outras áreas para que a pressão sobre os serviços de urgência diminua,” esclareceu, observando que “respostas mais proximais poderiam reduzir as visitas às urgências.”
Sobre o acordo nacional proposto pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Jorge expressou ceticismo quanto à possibilidade de alcançar um consenso entre todas as partes, citando posições divergentes. Ela lembrou, porém, que no passado, um bom serviço de saúde pública foi conseguido não através de um pacto de regime, mas por meio da coordenação entre governos sucessivos, mesmo aqueles de orientações políticas diferentes.
“Faria sentido que o governo atual ouvisse as partes, notadamente o PS, que está mais próximo do PSD em questões sociais, para chegar a algum entendimento e superar esta fase tão desafiadora em que nos encontramos,” alertou.
Apesar disso, e em comparação com seu mandato nos dois governos de José Sócrates, Ana Jorge reconheceu que gerir a pasta da Saúde é atualmente mais desafiador.
“Há vários fatores. Um deles é a falta de recursos humanos, que são em menor número em relação à quantidade de usuários. Além disso, há uma significativa falta de estrutura de carreiras, ou seja, não existem carreiras definidas, e não há SNS sem carreiras e nem carreiras sem SNS. Essa importante combinação deve ser considerada para solidificar o que é um serviço de saúde pública,” explicou.









