“Temos um modelo econômico aberto que nos expõe a choques globais. No entanto, parece que não conseguimos reduzir essa vulnerabilidade ao corrigir nosso mercado interno e fortalecer nosso crescimento doméstico,” afirmou Lagarde durante um discurso no Palazzo Vecchio, em Florença, durante o jantar oficial que precedeu a reunião externa do Conselho do BCE.
Ela observou que o continente suportou “tempestades que poderiam muito bem tê-lo derrubado,” como a pandemia, a crise energética ou a guerra, destacando que conseguiu fazê-lo devido à “resiliência de suas políticas, instituições e compromisso de agir em conjunto.”
“Nos últimos cinco anos, enfrentamos a pior pandemia desde a década de 1920, as tarifas mais altas dos EUA desde 1930, o mais profundo choque energético desde a década de 1970 e a guerra terrestre mais devastadora em solo europeu desde a década de 1990,” detalhou.
Apesar dessa resiliência, Lagarde alertou que “métodos antigos não podem mais nos levar longe” e pediu “criatividade” na tomada de decisões.
Embora os Estados-Membros concordem geralmente sobre o que deve ser feito, “a governança frequentemente nos impede de agir com determinação suficiente,” enfatizou, alertando que o processo de tomada de decisão na União Europeia “se tornou muito lento, muito complexo e muito refém dos vetos de diferentes Estados-Membros.”
Lagarde também incentivou a criação de regimes europeus comuns que permitam a aplicação de padrões compartilhados “sem esperar uma total convergência nacional” e falou sobre “aprofundar a cooperação entre grupos de países dispostos a avançar mais rapidamente, não como clubes exclusivos, mas como pioneiros cujo progresso fortalece o todo.”









