Cientistas descobrem medicamento imunológico que pode impedir a propagação fatal do câncer de pele

Cientistas descobrem medicamento imunológico que pode impedir a propagação fatal do câncer de pele

Um importante estudo clínico realizado pelo Grupo de Pesquisa em Câncer ECOG-ACRIN (ECOG-ACRIN) descobriu que um medicamento imunoterápico pode ajudar a reduzir a disseminação do carcinoma de células de Merkel, um tipo raro, mas agressivo, de câncer de pele, quando utilizado logo após a cirurgia. O ensaio clínico de fase 3 STAMP (EA6174) avaliou o pembrolizumabe, uma terapia que ativa o sistema imunológico do corpo para encontrar e destruir células cancerosas. Embora o tratamento não tenha diminuído significativamente o risco geral de recidiva, pareceu reduzir a probabilidade de o câncer se espalhar para órgãos distantes — um dos principais objetivos secundários da pesquisa.

Resultados do Estudo com Pembrolizumabe Mostram Redução do Risco de Disseminação do Câncer

O ensaio controlado randomizado de fase 3 STAMP é o maior estudo até agora a avaliar o pembrolizumabe como terapia adjuvante para o carcinoma de células de Merkel após a remoção do tumor. Após dois anos, 73% dos pacientes que receberam pembrolizumabe permaneceram livres de câncer, contra 66% no grupo que não recebeu o medicamento. Embora essa diferença não tenha sido estatisticamente significativa, aqueles tratados com pembrolizumabe tiveram 42% menos chances de desenvolver metástases distantes, ou seja, câncer que se espalhou para áreas como fígado, pulmões ou ossos.

Visão de Especialista: “Boas Notícias Muito Necessárias” para Pacientes

“O ensaio STAMP fornece a primeira evidência de que a imunoterapia com pembrolizumabe após a cirurgia pode ajudar as pessoas com carcinoma de células de Merkel ao prevenir o retorno do câncer em órgãos considerados distantes do local da doença original”, disse a investigadora principal Janice M. Mehnert, MD, co-presidente do Comitê de Melanoma da ECOG-ACRIN e diretora de Oncologia Médica Cutânea e de Melanoma no Perlmutter Cancer Center da NYU Langone Health. “Esta é uma boa notícia muito necessária para pessoas que vivem com o câncer altamente agressivo que é o carcinoma de células de Merkel,” acrescentou a Dra. Mehnert.

Compreendendo o Carcinoma de Células de Merkel

O carcinoma de células de Merkel é um câncer de rápido desenvolvimento que começa nas células sensoriais de toque da pele e frequentemente aparece como um nódulo firme e indolor em áreas frequentemente expostas ao sol. Embora o câncer de pele seja o tipo mais comum de câncer nos Estados Unidos, o carcinoma de células de Merkel — também conhecido como carcinoma neuroendócrino da pele — é extremamente raro, afetando não mais do que três em um milhão de pessoas a cada ano. É altamente agressivo, com menos da metade dos pacientes sobrevivendo cinco anos após o diagnóstico.

Colaboração em Grande Escala Permite Estudo de Câncer Raro

O ensaio STAMP (NCT03712605) recrutou 293 pacientes entre 2018 e 2023, todos os quais haviam se submetido à cirurgia para remoção de seus tumores. Desses, 147 pacientes foram randomicamente designados para receber infusões de pembrolizumabe após a cirurgia, enquanto 146 foram monitorados sem tratamento adicional com medicamentos. Alguns participantes também receberam terapia de radiação conforme recomendado por seus médicos.

Devido à raridade do carcinoma de células de Merkel, a Dra. Mehnert observou que a colaboração nacional foi crucial para viabilizar o estudo. Com o apoio do Instituto Nacional de Câncer (NCI), parte dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), a ECOG-ACRIN conduziu o ensaio por meio da Rede Nacional de Ensaios Clínicos do NCI, envolvendo mais de 500 hospitais e centros de câncer em todo o país.

Como Funciona o Pembrolizumabe

O pembrolizumabe pertence a uma classe de imunoterapias conhecidas como inibidores de PD-1. Ele atua bloqueando o receptor PD-1, uma proteína que as células cancerosas utilizam para se esconder do ataque do sistema imunológico. Ao interromper esse processo, o pembrolizumabe ajuda as células imunes a reconhecer e destruir células cancerosas de forma mais eficaz. A Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA já aprovou o pembrolizumabe (nome comercial KEYTRUDA) para tratar o carcinoma de células de Merkel localmente avançado ou metastático recorrente.

A sobrevida global, outro ponto de co-principal do ensaio, continua sendo monitorada e será relatada em uma data posterior.

A Dra. Mehnert apresentará os resultados do ensaio no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) 2025 na segunda-feira, 20 de outubro, em Berlim, Alemanha.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

axLisboa.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.