Em Barcelos, distrito de Braga, durante uma ação de campanha para as próximas eleições municipais, Mariana Mortágua expressou desconfiança na capacidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mediar um acordo de paz.
“Estamos a falar de um homem que disse que queria transformar Gaza num projeto imobiliário, uma Riviera, uma cidade destruída sob escombros,” afirmou.
O presidente dos EUA anunciou planos de viajar “em breve” para o Egito para assinar oficialmente o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, sem fornecer uma data específica.
“É obviamente um motivo para celebrar que, além de novos relatos de bombardeios e baixas, o povo de Gaza poderia experienciar uma noite de paz e descanso sem temer a próxima bomba ou drone. Acredito que é sempre digno de celebração tal paz, mesmo que temporária, e por isso a minha nota inicial é de alívio e celebração,” disse a líder do Bloco de Esquerda.
Mortágua acrescentou que o “genocídio” começou há dois anos, “mas a violência de Israel contra os palestinianos não começou há dois anos.”
“Portanto, um acordo duradouro deve incluir o reconhecimento do direito do povo palestiniano às fronteiras que lhe são reconhecidas e a punição de Israel pela ocupação ilegal de terras palestinianas,” defendeu.
A coordenadora do Bloco de Esquerda enfatizou: “Nenhum acordo de paz pode ser duradouro se essencialmente cristaliza e institucionaliza a ocupação de territórios.”
“Este acordo não aborda as áreas da Palestina que foram ilegalmente ocupadas por Israel e permanecem ocupadas, assim como não diz nada sobre as partes ocupadas da Cisjordânia que Israel declarou que continuará a ocupar,” destacou.
Adicionalmente, considerou que um acordo de paz deve implicar a persecução de criminosos de guerra.
“Israel cometeu crimes contra a humanidade, e os líderes israelitas precisam de ser processados por isso. Mandados de prisão já foram emitidos por tribunais internacionais, e é crucial que os responsáveis pelos genocídios, aqueles responsáveis por esses crimes contra a humanidade, sejam levados à justiça,” acrescentou Mariana Mortágua.
Para a líder do Bloco de Esquerda, este acordo “foi alcançado à custa da extorsão.”
“Não há paz onde a moeda de troca é o genocídio, onde a moeda de troca é o massacre de milhares de crianças, a fome de um povo. Para que a paz seja duradoura, exige respeitar o direito do povo palestiniano à independência, soberania e às fronteiras reconhecidas internacionalmente que Israel não respeita,” reiterou.









