Cientistas observam proteína de Parkinson perfurar células cerebrais

Cientistas observam proteína de Parkinson perfurar células cerebrais

Uma proteína tóxica forma pores dinâmicas nas membranas das células cerebrais – e isso pode ser a chave para entender como a doença de Parkinson se desenvolve. Esta é a conclusão de um novo estudo da Universidade de Aarhus, onde pesquisadores desenvolveram um método avançado para rastrear ataques moleculares em tempo real.

A doença de Parkinson muitas vezes começa de forma sutil. Um leve tremor na mão. Um pouco de rigidez. Mas com o tempo, as células do cérebro começam a morrer, e os sintomas se agravam. A causa permaneceu um mistério por muito tempo – mas os cientistas podem agora estar mais próximos de uma explicação.

No centro da atenção está a proteína α-sinucleína, que desempenha um papel na comunicação célula a célula no cérebro saudável. Na doença de Parkinson, no entanto, ela começa a se comportar de forma anormal e se aglomera em estruturas tóxicas.

Até agora, a maior parte da pesquisa se concentrou nos grandes agregados conhecidos como fibrilas, que são visíveis no tecido cerebral de pacientes com Parkinson. Mas um novo estudo foca em estruturas menores, menos compreendidas e mais tóxicas: os oligômeros de α-sinucleína. De acordo com os pesquisadores, estes são os que perfuram buracos microscópicos nas membranas das células nervosas.

O estudo foi recentemente publicado na renomada revista ACS Nano, publicada pela American Chemical Society.

Pequenas portas giratórias nas células

“Somos os primeiros a observar diretamente como esses oligômeros formam pores – e como as pores se comportam”, diz Mette Galsgaard Malle, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Aarhus e na Universidade de Harvard.

O processo se desenrola em três etapas. Primeiro, os oligômeros se ligam à membrana, especialmente em regiões curvadas. Em seguida, eles se inserem parcialmente na membrana. Finalmente, eles formam um poro que permite a passagem de moléculas e potencialmente pode perturbar o equilíbrio interno da célula.

Mas esses não são buracos estáticos. As pores abrem e fecham constantemente, como pequenas portas giratórias.

“Esse comportamento dinâmico pode ajudar a explicar por que as células não morrem imediatamente”, diz Bo Volf Brøchner, estudante de doutorado e primeiro autor do estudo. “Se as pores permanecessem abertas, as células provavelmente colapsariam muito rapidamente. Mas, como elas abrem e fecham, as bombas naturais da célula podem ser capazes de compensar temporariamente.”

Filme molecular em câmera lenta

Esta é a primeira vez que tal dinâmica de pores foi observada em tempo real. Isso foi possível graças a uma plataforma de análise de vesículas única que permite aos pesquisadores acompanhar as interações entre proteínas individuais e vesículas individuais.

Vesículas são pequenas bolhas artificiais que imitam membranas celulares e servem como modelos simplificados de células reais.

“É como assistir a um filme molecular em câmera lenta”, explica Mette Galsgaard Malle. “Não só conseguimos ver o que acontece – mas também podemos testar como diferentes moléculas afetam o processo. Isso torna a plataforma uma ferramenta valiosa para triagem de medicamentos.”

Longo caminho até o tratamento

Na verdade, a equipe já testou nanocorpos – pequenos fragmentos de anticorpos – desenvolvidos para se ligarem especificamente a esses oligômeros. Eles mostram potencial como ferramentas de diagnóstico altamente seletivas. No entanto, como um tratamento, ainda há um longo caminho a percorrer.

“Os nanocorpos não bloquearam a formação de pores”, diz Bo Volf Brøchner. “Mas ainda podem ajudar a detectar oligômeros em estágios muito iniciais da doença. Isso é crucial, uma vez que a doença de Parkinson é normalmente diagnosticada apenas após danos neurais significativos terem ocorrido.”

O estudo também mostra que as pores não se formam de maneira aleatória. Elas tendem a surgir em tipos específicos de membranas – especialmente aquelas que se assemelham às membranas das mitocôndrias, as fábricas de energia da célula. Isso pode indicar que os danos começam lá.

Um passo de cada vez

No entanto, os pesquisadores enfatizam que o estudo foi realizado em sistemas modelos – não em células vivas. O próximo passo será replicar as descobertas em tecido biológico, onde fatores mais complexos entram em jogo.

“Criamos um ambiente experimental limpo onde podemos medir uma coisa de cada vez. Essa é a força desta plataforma”, diz Mette Galsgaard Malle. “Mas agora precisamos dar o próximo passo e investigar o que acontece em sistemas biológicos mais complexos.”

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

axLisboa.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.