A Idealista contestou a decisão da Autoridade da Concorrência (AdC) relativa à sua aquisição da Portal47, que possui a plataforma Kyero, indicando “preocupações competitivas”. A empresa afirmou que a plataforma representa apenas 1% do mercado português.
A Idealista descreveu inicialmente a operação como meramente a aquisição de um player com uma participação de mercado negligenciável. No entanto, a investigação da AdC revelou que os participantes do mercado viam a Kyero como um concorrente significativo no segmento internacional de plataformas imobiliárias online.
A reguladora destacou que, embora a Idealista afirme ter notificado proativamente as autoridades, qualquer transação que resulte em uma participação de mercado superior a 50% deve ser reportada à AdC.
A investigação mostrou que a posição de mercado da Idealista excede amplamente esse limite, necessitando de comunicação à AdC sobre qualquer aumento.
A Autoridade da Concorrência destacou a complexidade desta operação, envolvendo um player com uma posição de mercado notavelmente dominante.
Com base nos detalhes fornecidos pela Idealista, a AdC considerou necessário reunir informações extensivas, frequentemente encontrando respostas circulares e pouco claras da empresa.
As preocupações da AdC foram comunicadas à Idealista por meio de reuniões nos dias 23 de abril e 5 de junho de 2025, e um projeto de decisão para uma investigação detalhada, permitindo que a Idealista contestasse essa decisão.
A reguladora manteve transparência, informando a Idealista sobre suas preocupações em relação à fusão desde o início.
Uma vez que o processo avançou para uma segunda fase, a AdC conduziu várias investigações, incluindo pesquisas com mais de 1.400 agências imobiliárias, para confirmar suas preocupações.
Apesar disso, a Idealista não propôs nenhuma solução para abordar essas preocupações, uma responsabilidade que legalmente recai exclusivamente sobre a empresa, já que a AdC não pode oferecer compromissos em seu nome.
Além de solicitar acesso ao processo, concedido em 25 de agosto de 2025, a Idealista não respondeu mais.
A operação também foi notificada na Espanha, onde a CNMC exigiu compromissos considerados excessivos pela Idealista, levando à retirada da fusão em ambos os países.
A Idealista argumentou que as “sérias preocupações competitivas” jamais foram claramente comunicadas, faltando uma teoria definitiva de danos requerida pela legislação antitruste, apesar de múltiplos pedidos de esclarecimento.
A plataforma acrescentou que a operação foi encaminhada para uma segunda fase sem a realização de um teste de mercado, resultando em atrasos injustificados durante o verão.
A empresa afirmou que esses atrasos afetaram severamente as condições da transação, tornando a aquisição da Kyero em Portugal inviável.









