“Esses são clichês que posso dizer, mas é o que eu realmente sinto, é muito bom ver nossa língua por aí,” disse o ator Rui Pedro Silva, que estará presente hoje em Austin, Texas, para a exibição do filme no qual estrela.
“Estou bastante otimista sobre o futuro do cinema em Portugal,” afirmou, observando uma “grande diferença” nos últimos anos.
‘A Árvore do Conhecimento’ é um longa-metragem escrito e dirigido por Eugène Green, coproduzido entre Portugal e França, que utiliza a fantasia para questionar o turismo de massa em Portugal e abordar outros temas culturais portugueses.
“Não é apenas um filme português estreando nos Estados Unidos, mas é feito com um diretor que fala e filma em francês, espanhol e italiano,” destacou o ator.
A popularidade de Portugal entre os turistas americanos é um dos destaques da história, servindo como uma metáfora para um despertar espiritual. O público acompanha essa jornada através de Gaspar, um adolescente interpretado por Rui Pedro Silva, que cai nas mãos de um homem que fez um pacto com o diabo.
Chamado de Ogro, esse homem (interpretado por Diogo Dória) usa o adolescente para atrair turistas que ele transforma em animais e mata para vender a carne.
“O trabalho do filme, que de certa forma espelha a jornada do meu personagem, é entender que acima de tudo, trata-se de amor e não de generalizar a multidão que vemos,” explicou Rui Pedro Silva, enfatizando que a mensagem não é apenas de apontar dedos.
“Acima de tudo, trata-se de cuidar. Precisamos cuidar das pessoas que recebemos, e as pessoas devem cuidar do país que as recebe,” considerou.
Fugindo do Ogro e de seu servo Leitão (João Arrais), Gaspar é acompanhado por dois animais que se tornam personagens importantes na história.
“Passei talvez 70% das filmagens gravando com um burro e um cachorro,” disse o ator, que aprendeu truques para fazer os animais realizarem o que era necessário em cada cena. Um truque envolveu esconder comida debaixo do braço para atrair o burro a deitar a cabeça ali.
“Este filme é um espaço para refletirmos sobre nós mesmos e nossas escolhas como pessoas e como seres humanos,” descreveu Rui Pedro Silva. “Embora seja fantástico, não se trata de monstros, é sobre não deixar de ser humano,” acrescentou.
Filmado em um estilo que lembra o teatro, com os atores olhando diretamente para a câmera, ‘A Árvore do Conhecimento’ oscila entre o absurdo e a comédia, incluindo um encontro com a Rainha Maria I que serve como uma metáfora “para todos os fantasmas que temos em Portugal.”
Uma coprodução entre Som e a Fúria e Le Plein de Super, ‘A Árvore do Conhecimento’ também conta com Leonor Silveira (Hecatinha), Ana Moreira (Maria I) e Maria Gomes (Helena).
A estreia em Austin, Texas, precede sua exibição em Portugal, pois será o filme de encerramento da 23ª edição do festival Doclisboa, que ocorrerá de 16 a 26 de outubro.









