O ex-Presidente da República participou da conferência “A Posição de Portugal em uma Ordem Global em Mudança”, organizada pelo FT, e discutiu o papel de Portugal no fortalecimento do núcleo duro da União Europeia.
Em meio à atual desordem internacional, a posição de Portugal deve ser entendida de maneira integrada, e o país deve adotar uma postura ativa na defesa de um conjunto de opções estratégicas que visam reforçar o poder da União Europeia, da qual é membro há 40 anos e é um dos fundadores da zona euro. “Nos novos tempos, a competitividade deve ser analisada não apenas sob a ótica econômica, mas também em sua relevância política, como uma manifestação de poder”, afirmou Cavaco Silva, ex-presidente da República e palestrante principal da conferência ‘A Posição de Portugal em uma Ordem Global em Mudança’, ocorrida ontem no Auditório Jerónimo Martins da Nova School of Business and Economics. Esta iniciativa é promovida pelo “Financial Times” em parceria com a Tabaqueira.
Nesse contexto, o ex-presidente enfatizou a urgência de completar a arquitetura da União Econômica e Monetária, especialmente no que diz respeito ao aprofundamento e à integração dos mercados de capitais dos Estados-membros, com o intuito de aumentar a liquidez de uma ampla gama de ativos financeiros sem risco.
“Essa é uma medida crucial para reduzir os custos e diversificar as fontes de financiamento dos investimentos produtivos das empresas, ampliar a oferta de capital de risco, conter a emigração da poupança das famílias europeias para os Estados Unidos e reforçar o papel do Euro como moeda global”, acrescentou.
Cavaco Silva defendeu que o Banco Central Europeu não deve procrastinar em suas decisões sobre criptoativos, o euro digital e a criação ou não de stablecoins vinculadas ao euro. Ele destacou a importância de Portugal defender, no âmbito europeu, o aumento do investimento em inovação, a ampliação da União para incluir os países dos Balcãs Ocidentais e o fortalecimento das relações entre a União Europeia e a África, a América Latina e os países da região mediterrânea.
O acordo comercial “entre a União Europeia e os Estados Unidos, celebrado em um clube de golfe na Escócia” no mês passado, não deve ser visto como o fim das tensões comerciais e políticas com a Administração americana. “Embora seja um acordo favorável aos Estados Unidos, com o presidente Trump nunca se sabe o que o futuro reserva. Para uma economia pequena e aberta como a portuguesa, as guerras comerciais são prejudiciais”, afirmou Cavaco Silva.
O ex-chefe de Estado também defendeu que a China não pode deixar de ter um papel relevante nas relações externas da União. “No campo político, a União não deve considerar a China um parceiro confiável, dado seu apoio à invasão da Ucrânia pela Rússia e as atrocidades cometidas”, concluiu Cavaco Silva.
Preocupação com o PIB da zona euro
Durante a conferência, o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, foi o orador de encerramento. Ele expressou sua “grande preocupação com a estagnação da zona euro”, citando a Alemanha e a França, que estão entre os principais parceiros econômicos de Portugal.
“Nosso crescimento tem sido de 2% ou superior, o que ainda está abaixo do objetivo e da ambição do Governo, mas continua sendo bastante superior à média da zona euro”, afirmou o ministro. Miranda Sarmento também destacou que “a economia portuguesa tem demonstrado uma enorme resiliência e capacidade de adaptação, especialmente desde a pandemia”, e expressou confiança de que conseguirá resistir aos choques externos. Sobre o impacto das tarifas e das guerras comerciais, ele espera “que esse capítulo esteja encerrado e a incerteza tenha chegado ao fim.”









