Bosch com sinais fracos em 2025 prorrogues para 2027 o objetivo de avanço de 7% dos lucros antes de impostos

Bosch com sinais fracos em 2025 prorrogues para 2027 o objetivo de avanço de 7% dos lucros antes de impostos

O abrandamento da economia global, o aumento das tarifas e os altos custos de reestruturação — que incluem o anúncio do corte de 13 mil postos de trabalho — impactaram negativamente os resultados finais. A empresa reconheceu que a meta de alcançar uma margem de lucro de 7% foi adiada: o objetivo, anteriormente previsto para 2026, deverá agora ser alcançado, “no mínimo”, em 2027.

A gigante tecnológica Bosch divulgou seus resultados preliminares de 2025, classificando o ano como um período “extremamente desafiante”. Embora as receitas tenham se mantido estáveis em 91 bilhões de euros, praticamente inalteradas em relação aos 90,3 bilhões de euros de 2024 (um aumento nominal de cerca de 0,8%), a rentabilidade do grupo experimentou uma queda significativa, com a margem de EBIT (resultados antes de impostos) caindo para 1,9%, bem abaixo das expectativas e dos 3,5% registrados em 2024.

Após ajustes pelos efeitos cambiais, o crescimento das receitas foi de 4,2%, demonstrando, ainda assim, uma certa resiliência apesar do contexto desfavorável.

A empresa planeja reduzir custos, simplificar sua estrutura organizacional e investir 2,5 bilhões de euros em inteligência artificial até 2027 para alcançar a meta de uma margem de 7% até 2027. Com isso, a Bosch confirmou que o objetivo de atingir uma margem de lucro antes de impostos de 7% foi postergado, com a previsão de pelo menos 2027 para sua realização.

A companhia enfrenta uma significativa lacuna de custos, especialmente no setor de Mobilidade, onde o déficit anual é estimado em cerca de 2,5 bilhões de euros em relação à margem-alvo, devido à transição para a eletromobilidade, pressões de preços e concorrência acirrada, particularmente da China.

Para aumentar sua competitividade e capacidade de investimento, a Bosch intensificou medidas como a redução de custos com materiais, um maior uso de inteligência artificial para aumentar a produtividade, rigor nos investimentos e simplificação organizacional. Isso inclui a eliminação de cerca de 13 mil postos de trabalho, anunciada anteriormente, de forma socialmente responsável e em diálogo com os representantes dos trabalhadores, embora com custos iniciais elevados (provisões de aproximadamente 2,7 bilhões de euros em 2025).

Até o final de 2025, o grupo contava com aproximadamente 412.400 colaboradores em todo o mundo, uma redução de cerca de 1% (5.400 pessoas) em comparação ao ano anterior, sendo a maior parte dessa redução na Alemanha (queda de cerca de 5%, para 123.100 colaboradores).

Stefan Hartung, presidente do conselho de administração da Robert Bosch GmbH, caracterizou 2025 como “um ano difícil e, por vezes, doloroso para a Bosch”, atribuindo os resultados à desaceleração da economia global, ao aumento das tarifas comerciais, à queda nas vendas em alguns segmentos e às altas provisões para ajustes estruturais e medidas relacionadas ao pessoal.

A empresa prevê uma concorrência cada vez mais acirrada em um cenário econômico desfavorável.

A Bosch também delineou sua Estratégia 2030, que visa garantir a competitividade por meio da redução de custos e do fortalecimento da capacidade de investimento, além de fomentar inovações e aquisições para criar novas oportunidades de negócios.

Apesar dos desafios, a Bosch se mantém firme em sua Estratégia 2030, que busca posicionar a empresa entre os três principais fornecedores nos mercados globais-chave, com um crescimento anual nas vendas de 6 a 8% e uma margem EBIT de pelo menos 7%. Devido ao contexto atual, a meta de 7% foi postergada para, no mínimo, 2027.

Mesmo diante dessa situação, Markus Forschner, CFO da Bosch, continua otimista quanto ao longo prazo, afirmando que as reformas em andamento “estabelecerão as bases para o sucesso futuro” da marca.

A empresa reafirmou seu compromisso com a inteligência artificial, prevendo um investimento total de 2,5 bilhões de euros até o final de 2027.

No setor de mobilidade impulsionada por software, a Bosch garantiu encomendas no valor de 10 bilhões de euros para soluções de condução automatizada, sensores e centrais computacionais de veículos.

A integração do negócio AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) adquirido impulsiona o crescimento da Bosch Home Comfort, com a meta de duplicar as receitas para 8 bilhões de euros a médio prazo.

Na divisão de Ferramentas Elétricas, o tempo de lançamento de produtos foi reduzido em média em dois meses, com um plano para lançar cerca de 2.000 novos produtos até 2027.

Hartung aproveitou a apresentação para emitir um alerta político. Citando o estudo Bosch Tech Compass, ele expressou preocupação com o ceticismo tecnológico na Europa, especialmente na França e na Alemanha. Segundo Hartung, a resistência ao progresso coloca em risco a prosperidade do continente em face da concorrência global.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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