A energia solar e os projetos de baterias se destacam como as tecnologias mais promissoras nos Estados Unidos atualmente. A companhia já destinou 20 bilhões de dólares para o mercado americano, que representa 40% do seu investimento global.
O governo de Donald Trump expressou interesse em que a EDP amplie seus investimentos nos EUA, conforme revelado pelo CEO da elétrica portuguesa nesta sexta-feira.
Miguel Stilwell d’Andrade mencionou que, durante uma reunião com o ministro da Energia dos Estados Unidos, Chris Wright “encorajou” a empresa a “aumentar investimentos nos EUA”, com ênfase em “energia solar e baterias”.
“Sem energia, não será possível construir centros de dados, e os preços da energia vão disparar” devido ao aumento da demanda sem crescimento na oferta.
Ele ressaltou a necessidade de mais energia, afirmando que este é um momento ideal para investir nos EUA em termos de rentabilidade, especialmente em energia solar e projetos de armazenamento de eletricidade com baterias, durante um discurso na conferência da câmara de comércio luso-americana (AmCham).
O executivo destacou que a empresa já investiu 20 bilhões de dólares nos EUA, com 40% do seu investimento global direcionado a esse mercado. “Temos uma longa trajetória, estamos presente em mais de 20 estados. O país continua sendo interessante, especialmente com a pressão gerada pelo tema de IA e digitalização sobre a demanda.”
Ele observou que há uma escassez de tecnologias disponíveis e que não se prevê a construção de novas usinas nucleares na próxima década, uma vez que leva mais de 10 anos para concluir esse processo. O gás natural é uma opção, mas também possui limitações em relação à produção de turbinas a gás.
Durante sua fala, ele afirmou que a Europa está “muito focada nas energias renováveis e nas redes elétricas”, além de buscar “independência energética”.
“A Europa não produz combustíveis fósseis e continua dependente. Não seremos competitivos” em relação à importação massiva de petróleo e gás. “Nunca conseguiremos ser tão competitivos” quanto os países produtores.
Sobre a competitividade dos preços da energia em comparação aos EUA, ele destacou que a situação é especialmente crítica no gás natural, que é três a quatro vezes mais caro do que na costa americana.
“Em eletricidade, somos tão competitivos ou até mais”, afirmando que “generalizações devem ser evitadas”, pois as “médias são perigosas”: enquanto a eletricidade é mais cara na Europa Central, é mais acessível nos países nórdicos e na Península Ibérica. “Temos potencial para ser altamente competitivos.”
Ele enfatizou que é fundamental diferenciar a política energética da política fiscal ou industrial, observando que a Europa tem “energia cheap”, mas impõe “impostos sobre isso”.
A Península Ibérica é um centro de energia elétrica. Se empresas pretendem deslocar suas operações da Europa, devem considerar opções dentro do próprio continente.
Como exemplo, ele mencionou uma empresa que pretendia mudar sua sede da Alemanha para a China devido aos altos custos de eletricidade, sugerindo que “Portugal poderia ser uma alternativa”. Ele confessou ter recebido um “death stare” durante um encontro com empresas alemãs ao expor essa ideia.
Projeto do consórcio da EDPR será reavaliado pelo governo Trump
Enquanto as perspectivas são otimistas para a energia solar e baterias, a situação é mais complexa para a energia eólica offshore. Em novembro, um tribunal na capital dos EUA decidiu que o projeto SouthCoast Wind da Ocean Winds (consórcio formado pela EDPR e Engie) será reavaliado pelo governo de Donald Trump, conforme noticiado pelo JE em 24 de novembro.
A usina eólica offshore havia recebido aprovação da administração de Joe Biden, mas a nova gestão identificou problemas na análise ambiental do projeto e poderá revogar a autorização durante essa nova avaliação.
A decisão do tribunal foi tomada no início de novembro após um processo movido pela cidade de Nantucket, Massachusetts, que solicitou o cancelamento da aprovação.
O consórcio já havia anunciado a suspensão do projeto, prevista para fevereiro de 2025.
A Ocean Winds argumentou em tribunal que a revisão do projeto poderia causar atrasos e comprometer contratos para equipamentos e serviços essenciais para a construção. No entanto, a magistrada afirmou não estar convencida de que o promotor sofreria danos imediatos, de acordo com a “Reuters”.
Respondendo a perguntas do JE, a Ocean Winds expressou em novembro suas “sérias preocupações” em relação a essa decisão. “Estamos desiludidos com esse resultado, mas permanecemos comprometidos com os padrões rigorosos que guiaram o desenvolvimento do projeto ao longo de quatro anos, conforme a legislação National Environmental Policy Act (NEPA).”
“Estamos avaliando as implicações dessa decisão e consideraremos todas as medidas apropriadas, incluindo a possibilidade de seguir por vias legais, para garantir a integridade do projeto e sua contribuição a longo prazo para os objetivos energéticos regionais e nacionais”, afirmou Michael Brown, diretor da Ocean Winds para a América do Norte.
A companhia já investiu mais de 600 milhões de dólares no desenvolvimento e licenciamento do projeto, incluindo pagamentos ao governo federal.
No dia 17 de setembro, o Jornal Econômico informou que a EDP Renováveis (EDPR) estava disposta a lutar por seus direitos em um tribunal americano na disputa contra o governo de Donald Trump.
A Casa Branca busca anular a licença da usina eólica offshore na costa leste dos EUA, um projeto da Ocean Winds, que é uma joint venture entre a EDP Renováveis e a Engie da França.
“Nós – assim como várias outras empresas – vamos defender nossos direitos nos fóruns adequados. Depois veremos”, afirmou o CEO da EDPR na ocasião.
“É, essencialmente, a percepção da administração americana de que não deseja avançar com projetos de eólica offshore. Portanto, acreditamos que esses projetos são viáveis do ponto de vista técnico, econômico e ambiental. Por isso investimos neles”, acrescentou Miguel Stilwell d’Andrade em setembro.
O projeto SouthCoast Wind, localizado ao largo da costa de Massachusetts, possui uma capacidade prevista de 2,4 gigawatts. A companhia planejava iniciar a construção este ano para que a usina estivesse operacional até 2030.
Embora o consórcio nunca tenha divulgado o valor do investimento, estimativas de 2023 do jornal especializado “North American Wind Power” apontam que os custos poderiam chegar a 5 bilhões de dólares.
Em agosto, o governo federal dos EUA cancelou financiamentos de 580 milhões de euros destinados a projetos eólicos marítimos.









