Portugal está perto de alcançar o pleno emprego, ou já o fez, mas a escassez de mão de obra está a dificultar o progresso do país e a criar obstáculos às oportunidades – e essa situação tende a piorar. A taxa de desemprego caiu para 5,8% no terceiro trimestre de 2025, com um recorde histórico de 5,33 milhões de pessoas empregadas, uma excelente notícia. No entanto, a imigração, um motor importante para o crescimento, sofreu uma diminuição de 2% já em 2024, com apenas 138 mil entradas permanentes (de 177.557 totais contra 33.916 saídas), e essa tendência deve agravar-se com a nova Lei da Nacionalidade. Em 2025, dados preliminares da AIMA indicam que mais de nove mil estrangeiros foram notificados para sair apenas no primeiro semestre, o que pode sinalizar um problema maior. O crescimento do PIB evidencia bem essa dependência da imigração.
Nos últimos anos, Portugal cresceu continuamente acima da média da União Europeia. No entanto, esse crescimento tem estado intimamente ligado ao aumento do emprego, impulsionado pelos imigrantes. Em 2024, haviam 302 mil trabalhadores estrangeiros no mercado, concentrados em setores como a agricultura (6,2% do emprego), a hotelaria (18,3%) e a construção. Sem a sua presença, várias indústrias enfrentariam um colapso: a pesca ficaria sem equipes, a agricultura pararia, os restaurantes teriam que fechar as portas e a construção atrasar-se-ia ainda mais, sem contar com a saúde, que perderia auxiliares essenciais para o funcionamento cotidiano de hospitais e clínicas. É verdade que António Costa desconsiderou a urgência em regular os fluxos migratórios, criando um alarmante vazio que o atual Governo teve de preencher, em resposta ao crescente populismo. Contudo, regular a imigração e criar um ambiente tão difícil e hostil é um erro que acaba prejudicando as empresas.
A AEP é a primeira associação a apontar para essa questão. É necessário estruturar a imigração – até porque a economia não estará sempre em crescimento, devemos pensar no futuro –, mas a escassez de mão de obra já representa um sério entrave produtivo que precisa ser enfrentado sem viés nacionalista. A política partidária, prisioneira de uma superficialidade dolorosa, tanto à esquerda quanto à direita, está a destruir riqueza em vez de promovê-la.









