Consigo, desejo e comando

Consigo, desejo e comando

Donald Trump se comporta como um mafioso que ameaça e agride para depois oferecer proteção. O grande predador, como é injustamente chamado – há outros, no “The Hour of the Predator”, Giuliano da Empoli nos apresenta vários, sem esquecer a Big Tech – deixou o controle de lado após o ataque à Venezuela. Estamos prestes a descobrir o que realmente significa fazer a América Grande, se isso implica estendê-la à Venezuela, México, Canadá, Groenlândia e Cuba. O aspirante ao Nobel da Paz já demonstrou porque não o recebeu; só o conquistará quando invadir a Noruega.

Enquanto isso, Mark Ruthe faz bem em lustrar os sapatos de Donald, pois em breve ele vai precisar de um novo emprego e, se algo se aprendeu por aqui, não será na Europa. Muito se tem falado sobre os motivos dessa cruzada, mas entre eles estão também os midterms. Trump está com uma taxa de aprovação de 42%, contra 55% de desaprovação até o dia 12, já após a queda de Nicolás Maduro.

A economia dos EUA tem demonstrado notável resiliência: desde 2023, fala-se de uma recessão, mas analistas e economistas têm adiado essa previsão repetidamente. Donald e o lobo. Em maio, Trump pode tomar o último bastião de resistência, a Reserva Federal (Fed), com a mudança de presidente – a menos que ele nomeie no fim do mês seu futuro presidente, substituindo Miran e complicando ainda mais a vida de Powell. No entanto, não é certo que consiga a redução de juros que deseja.

Os mercados (FedWatch) prevêem duas reduções de um quarto de ponto em 2026, sendo a primeira no meio do ano, muito pouco e tarde demais para ele. Embora a criação de empregos tenha sido fraca em dezembro, com um aumento de 50 mil vagas e uma revisão negativa de 79 mil nos meses anteriores, novos estímulos seriam contraproducentes, pois a taxa de desemprego caiu em dezembro, de 4,5% (revisada) para 4,4%, e a taxa de inflação está em 2,7%, devendo permanecer acima de 2% por mais seis anos. Portanto, quem será seu indicado que fará um favor e esclarecerá as dúvidas sobre a independência do banco central, entrando para a História como pior que Arthur Burns?

Isso sem mencionar as tarifas 2.0 – em 2025, subiram de 2,5% para 27%, a taxa mais alta em mais de um século – e outras medidas criativas que serão impostas em 2026. Espera-se que as taxas de juros de longo prazo subam, mesmo que moderadamente, mas ainda não sabemos as consequências que uma invasão da Groenlândia teria nas economias e nos mercados financeiros. Trump vive em um País das Maravilhas, aquele onde o Cheshire Cat dizia “estamos todos loucos aqui”.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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