Marco Rubio, em entrevista à CBS, afirmou que os Estados Unidos manterão várias ferramentas de influência para proteger seus interesses, incluindo o embargo ao petróleo vigente, se as autoridades venezuelanas não tomarem as decisões corretas.
O secretário de Estado norte-americano declarou neste domingo que Washington só colaborará com as autoridades da Venezuela que adotarem “as decisões certas”, reafirmando que os EUA ainda podem aumentar a pressão sobre o país sul-americano.
Durante sua participação no programa “Face the Nation with Margaret Brennan”, Rubio deixou claro: “Vamos avaliar a situação a partir de agora. Julgaremos tudo com base nas ações deles e veremos o que farão.”
Rubio destacou que a economia da Venezuela é “movida a petróleo”, mas atualmente apresenta uma indústria petrolífera defasada, que necessita de vasta assistência e trabalho, além de não beneficiar a população, já que o dinheiro do petróleo não chega ao povo.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de enviar tropas americanas para a Venezuela, Rubio reconheceu que o Presidente Trump “mantém sempre todas as opções em aberto para todas as situações”.
Ele defendeu que Trump possui o direito, segundo a Constituição dos Estados Unidos, de agir contra ameaças iminentes e urgentes ao país. Em relação à operação realizada no sábado, Rubio ressalvou que Washington não pretendia “entrar e terminar rapidamente”, mas sim “entrar e capturar” o que precisava.
“Se já houve reclamações sobre essa operação, imagine o alvoroço se tivéssemos ficado quatro dias para capturar mais quatro pessoas. Conseguimos capturar a prioridade número um”, comentou, descrevendo a operação como “sophisticada e, francamente, complexa”.
Rubio atribuiu “o mérito aos militares americanos que realizaram a operação”, que ele considera “um enorme sucesso”. Ele celebrou a prisão de “um narcotraficante indiciado que não era o Presidente legítimo da Venezuela.”
Mostrando admiração por María Corina Machado e Edmundo González, opositores venezuelanos, o representante enfatizou que os Estados Unidos estão determinados a retirar “um país potencialmente muito rico” do controle de um regime que se “acomodou” ao Irã, ao Hezbollah e a “gangues de narcotraficantes que operam impunemente em seu próprio território”.
A administração Trump planeja avaliar as pessoas com base em suas ações futuras: “não com base no que disserem publicamente durante este período interino, nem no que sabemos que fizeram no passado, mas sim no que farão daqui para frente.”
Washington não está se concentrando apenas no regime de Nicolás Maduro, mas “nos fatores que representam uma ameaça ao interesse nacional dos Estados Unidos”, ressaltou Rubio, lembrando que os EUA tentaram trabalhar com o regime venezuelano, mas não conseguiram devido à falta de cumprimento por parte de Maduro, que recebeu oportunidades para sair pacificamente.
“Queremos o fim do tráfico de drogas. Não desejamos membros de gangues em nosso território. Não queremos ver a presença iraniana, nem a cubana no passado. Queremos que a indústria petrolífera naquele país beneficie o povo [venezuelano] e não piratas e adversários dos Estados Unidos,” detalhou.
No sábado, os Estados Unidos lançaram “um ataque em grande escala” com o objetivo de capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, anunciando que governarão a Venezuela até que ocorra uma transição de poder.
O Presidente Donald Trump fez o anúncio horas após o ataque em Caracas, que resultou na captura e transporte de Maduro e sua esposa para Nova Iorque.
Ainda não está claro quem governará a Venezuela na ausência de Maduro, mas Trump já sinalizou uma possível segunda ofensiva contra o país, se necessário.
Caracas condenou a “agressão criminosa perpetrada pelo governo dos Estados Unidos contra a nação venezuelana” e declarou estado de exceção.
Além disso, solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, pedido que contou com o apoio da Colômbia, que recentemente ingressou no órgão.
O Conselho de Segurança vai se reunir na segunda-feira para discutir a situação.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profunda preocupação” com a recente “escalada de tensão na Venezuela”, alertando que a ação militar dos Estados Unidos pode ter “implicações preocupantes” para a região.
A comunidade internacional tem se dividido entre a condenação da ofensiva dos Estados Unidos e a celebração pela queda de Maduro.









