Reformulação da Legislação Trabalhista, União Europeia e Kiev. O que aproxima e afasta António Filipe de Jorge Pinto?

Reformulação da Legislação Trabalhista, União Europeia e Kiev. O que aproxima e afasta António Filipe de Jorge Pinto?


Os dois candidatos à presidência debateram hoje em um confronto transmitido pela RTP, antecipando as eleições presidenciais agendadas para 18 de janeiro.

António Filipe iniciou saudando calorosamente “os trabalhadores que participarão da greve geral no dia 11 contra o pacote laboral”, afirmando que é “sério o suficiente para que os trabalhadores lutem contra isso”, e criticou o oponente por estar próximo do “consenso neoliberal que levou o país à situação atual.”

O candidato apoiado pelo PCP indicou que pode solicitar ao Tribunal Constitucional a revisão cautelar de algumas políticas e vetar politicamente outras que considerar “prejudiciais aos direitos dos trabalhadores e ao país.”

Jorge Pinto afirmou que “a greve geral no dia 11 demonstrará claramente o quanto os portugueses são contra essas propostas de mudanças.”

Na sua visão, o candidato apoiado pelo Livre acredita que o Governo PSD/CDS-PP deseja “mais precariedade, mais facilidade de demissão, acabar com a negociação coletiva e até enfraquecer o direito à greve.”

Referindo-se ao reconhecimento do The Economist de Portugal como a “melhor economia do ano,” o deputado do Livre comentou que “esses indicadores valem o que valem” e defendeu um modelo econômico focado em “ciência, tecnologia, inovação, alto valor acrescentado e altos salários.”

Sobre a lei da Eutanasia, ambos os candidatos concordaram que não precisa voltar à Assembleia da República.

O comunista afirmou que “as questões de inconstitucionalidade são removíveis através da regulamentação,” e embora discorde da morte assistida, respeita a decisão do parlamento.

Se fosse chefe de Estado, António Filipe observou que teria promulgado a lei e questionou quando o Governo pretende regulamentá-la.

Jorge Pinto argumentou que “a lei deve ser regulamentada e não arquivada devido à inação do governo.”

Relativamente à União Europeia, o ex-deputado do PCP declarou-se um “patriota e não ‘eurodependente.’”

“Acredito que Portugal deve respeitar naturalmente seus compromissos internacionais, mas deve ter sua própria voz nas organizações internacionais das quais participa e não aceitar tudo da União Europeia de maneira acrítica,” afirmou.

O deputado do Livre identificou-se como um “europeísta crítico, não um euroscético,” enfatizando que “ser patriota hoje significa querer ter voz dentro do projeto europeu porque é a única maneira de ter uma voz autónoma neste mundo multipolar.”

O conflito na Ucrânia foi outro tema que dividiu os dois candidatos de esquerda.

“O que me surpreende é que você não está ao meu lado em relação à Ucrânia, onde também há um invasor e um país invadido de maneira clara. E nunca ouvi António Filipe atacar e criticar firmemente opressores em outras situações como faz com Putin e a Ucrânia,” criticou Jorge Pinto.

“Em relação à Ucrânia, minha posição não é nem Putin nem Zelensky,” respondeu António Filipe, sugerindo que a União Europeia está “encontrando desculpas para tentar continuar a guerra.”

Uma possível convergência da esquerda foi outro tópico discutido no debate, com António Filipe refletindo que quando António José Seguro entrou na corrida, “a ideia de um candidato capaz de vencer no primeiro turno se tornou imaginária,” e ele rejeitou a ideia de voto tático, argumentando que é impossível “condicionar as escolhas dos eleitores através do medo.”

Jorge Pinto afirmou que está “fazendo um tremendo favor à esquerda,” acreditando que pode atrair votos dos indecisos que poderiam ir para Gouveia e Melo.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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