A Direção-Geral da Saúde (DGS) assinalou o Dia Mundial da SIDA com uma imagem que gerou grande controvérsia nas redes sociais. A publicação, feita originalmente no domingo, 30 de novembro, acabou por ser apagada.
A imagem, que continua a circular online em protesto, pretendia destacar que a SIDA não foi erradicada. No entanto, apresentava apenas fotografias de indivíduos negros, provocando uma onda de descontentamento nas redes sociais, onde muitos utilizadores condenaram a campanha, considerando-a “deplorável.”
A deputada socialista Eva Cruzeiro foi uma das primeiras a reagir. Ela classificou a publicação como “profundamente problemática,” enfatizando que tais comunicações “reforçam estereótipos raciais perigosos.”
“É profundamente problemático que uma campanha oficial do Estado português para o Dia Mundial da SIDA utilize apenas imagens de pessoas negras para ilustrar a mensagem ‘A SIDA não acabou.’ Este tipo de comunicação não é neutro. Reforça estereótipos raciais perigosos, associa uma doença a um grupo específico e ignora completamente o real contexto epidemiológico em Portugal. Numa país onde as pessoas negras continuam a enfrentar discriminação no acesso a cuidados de saúde, habitação, emprego e representação na mídia, campanhas públicas não podem perpetuar narrativas estigmatizantes. O Estado tem um dever acrescido de comunicar com responsabilidade, sensibilidade e precisão. A luta contra a infecção por HIV/SIDA não deve ser feita à custa da estigmatização de comunidades que já enfrentam múltiplas vulnerabilidades. Deve ser travada com informações precisas, prevenção, investimento em saúde pública e campanhas inclusivas que representem toda a sociedade portuguesa, não apenas certos corpos. Portugal merece uma comunicação em saúde pública que não perpetue preconceitos, mas que combata-os,” escreveu Eva Cruzeiro na plataforma X.
É profundamente problemático que uma campanha oficial do Estado português para o Dia Mundial da SIDA utilize exclusivamente imagens de pessoas negras para ilustrar a mensagem “A SIDA não acabou”. Este tipo de comunicação não é neutro. Reforça estereótipos raciais perigosos,… pic.twitter.com/PKbO0NT2FB
— Eva Cruzeiro (@EvaCruzeiro) 1 de dezembro de 2025
Isabel Moreira, também do Partido Socialista, comentou a questão, afirmando: “O governo interiorizou o vírus do racismo. Este horror foi apagado entretanto. Poderia ser pedido desculpa. Mas as culpas são demasiadas. A Ministra da Saúde não vai dizer nada,” declarou a deputada nas redes sociais.
O governo interiorizou o vírus do racismo. Apagou este horror, entretanto. Podia pedir desculpa. Mas as culpas são demasiadas. A Ministra da Saúde não vai dizer nada. #racismo pic.twitter.com/d0XeVwSVur
— Isabel Moreira (@IsabelLMMoreira) 1 de dezembro de 2025
Posteriormente, a DGS respondeu, negando qualquer discriminação e afirmando que apenas havia compartilhado uma imagem oficial da ONU. Contudo, a postagem foi removida.
A DGS optou por substituir a sua publicação pela versão original em inglês da UNAIDS (“A SIDA não acabou”), ilustrada com a mesma imagem.
️Mais de 40M de pessoas vivem com HIV em todo o mundo
️10M de pessoas estão à espera de tratamento para HIV
️1.3M de pessoas adquiriram HIV em 2024Isso pode e deve mudar!
Os líderes devem reafirmar seu compromisso em acabar com a SIDA e apoiar países e comunidades durante este período desafiador.
— UNAIDS Global (@UNAIDS) 30 de novembro de 2025
Em um comunicado, a autoridade de saúde explicou que a imagem faz parte de uma campanha global destinada a aumentar a conscientização de que a SIDA “ainda não acabou” e que ainda há “um caminho a percorrer mundialmente para mitigar riscos.”
A DGS também enfatizou que a mesma imagem foi compartilhada com parceiros comunitários e disseminada por várias entidades, alinhando-se com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que visam terminar com a SIDA até 2030.









