O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Frederico Morais, expressou hoje preocupações sobre graves brechas de segurança na Prisão de Beja devido à remoção de guardas da área prisional.
“Estamos preocupados que não haja uma visão macro de segurança, visto que o incidente em Vale de Judeus, onde cinco presos com medidas de segurança especiais escaparam, parece não ter servido de lição para ninguém nos serviços prisionais,” criticou.
Morais também acusou a gestão do estabelecimento de estar “à deriva” com “gestão deficiente,” independentemente da “escassez de efetivos que afeta todas as forças de segurança.”
“Eu tenho provas, e não falo apenas por falar. Sempre que encontro um problema, gosto de propor uma solução e justificá-la com fatos, e este é um dos fatos que já foi mais do que reportado pelos colegas deste estabelecimento,” afirmou.
Morais relembrou um incidente do início deste mês, quando um guarda da Prisão de Beja foi agredido por um interno após removê-lo de uma zona onde estava causando distúrbios com um profissional de saúde.
“O preso estava exigindo que uma enfermeira fornecesse um tratamento que ela não podia realizar sem autorização médica, e quando o colega o removeu daquela área, ele o socou no rosto,” relatou, observando que “o preso foi eventualmente isolado e transferido para Monsanto.”
A greve dos guardas da Prisão de Beja terá início na segunda-feira com recusa em fazer horas extras, estendendo-se a uma “greve total” de 16 de dezembro a 31 de janeiro, de acordo com o presidente do sindicato.
A chamada greve total consistirá em “limitar as atividades dos internos,” assumindo apenas “os serviços mínimos,” o que significa “eles terão acesso à higiene, saúde e refeições, mas permanecerão trancados por 22 horas por dia,” explicou.
“Não haverá canções do Alentejo, as saídas dos internos só ocorrerão se a vida deles estiver em risco ou para tratamentos de tuberculose, hepatite, AIDS ou COVID, ou para comparecimentos em tribunal se houver mudança nas medidas de coação,” esclareceu.
Os guardas da Prisão de Beja entraram em greve em outubro, mas “suspenderam a greve temporariamente” para garantir uma “rodada de negociações” com a gestão, disse o líder sindical.
“Apresentamos uma proposta ao diretor, e os representantes sindicais locais tiveram uma reunião,” mas nenhum acordo foi alcançado, acrescentou.
“Uma prisão não é uma escola primária ou um jardim de infância, e as pessoas estão lá porque um juiz decidiu que não podiam viver em sociedade devido aos crimes que cometeram,” argumentou Morais, afirmando que os internos “precisam ser reeducados e reintegrados na sociedade através de normas e regras.”
Atualmente, a Prisão de Beja conta com 53 guardas para 198 internos.
Um e-mail enviado pela agência Lusa ao diretor da Prisão de Beja ainda não recebeu resposta.









